Memorial dos Lanceiros Negros ganha novo impulso em audiência no RS Memorial dos Lanceiros Negros ganha novo impulso em audiência no RS

Memorial dos Lanceiros Negros ganha novo impulso em audiência no RS Memorial dos Lanceiros Negros ganha novo impulso em audiência no RS
Proponente da audiência, o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que o memorial representa um compromisso do Estado brasileiro com a preservação da memória e a promoção da igualdade racial Foto: Lutiana Mott/Divulgação

Encontro na Assembleia Legislativa buscou destravar o projeto do memorial e preservar a memória do Massacre de Porongos

A construção do Memorial dos Lanceiros Negros, no Cerro do Porongo, em Pinheiro Machado, voltou ao centro do debate público durante uma audiência realizada nesta segunda-feira (14), no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. A atividade foi promovida como diligência externa da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, em parceria com a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, reunindo representantes do governo federal, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), da Fundação Cultural Palmares, da prefeitura de Pinheiro Machado, parlamentares, especialistas e integrantes do movimento negro.

Com o plenário lotado, o encontro se estendeu por mais de três horas e teve como objetivo fortalecer a articulação política para o tombamento do Cerro do Porongo e viabilizar a construção do memorial, reivindicação histórica do movimento negro há mais de duas décadas.

Proponente da audiência, o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que o memorial representa um compromisso do Estado brasileiro com a preservação da memória e a promoção da igualdade racial.

“Tombar esse território e construir o Memorial dos Lanceiros Negros é dizer, com todas as letras, que o Estado brasileiro assume o compromisso com a igualdade racial. Não é favor. É reparação!”, declarou.

Paim também defendeu que o espaço seja concebido como um centro permanente de memória, educação e valorização da história da população negra brasileira.

Participaram da audiência a deputada federal Denise Pessôa (PT-RS), presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, a deputada federal suplente Reginete Bispo (PT-RS), os deputados estaduais Matheus Gomes (PSOL-RS), autor da proposição da atividade na Assembleia Legislativa, Bruna Rodrigues (PCdoB-RS) e Miguel Rossetto (PT-RS), além da ex-deputada Manuela d’Ávila.

Também integraram a mesa representantes do Iphan, do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), do Ministério da Igualdade Racial, da Fundação Cultural Palmares e da Prefeitura de Pinheiro Machado. Entre eles estavam o superintendente do IPHAN no Rio Grande do Sul, Rafael Pavan dos Passos; a representante do Ministério da Igualdade Racial, Leonice Mourad; o procurador-chefe da Fundação Cultural Palmares, Denilton Leal Carvalho; a vice-prefeita de Pinheiro Machado, Laura Ratto Finkler; e a secretária municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Sandra Farias da Silva.

Durante o encontro, os participantes defenderam a conclusão do processo de tombamento federal do Cerro do Porongo, considerado essencial para preservar o local onde ocorreu o massacre. Também ressaltaram que o projeto arquitetônico do memorial já foi definido em concurso nacional promovido pela Fundação Cultural Palmares e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, restando agora avançar na articulação institucional e na destinação dos recursos necessários para sua execução.

Como encaminhamento, Paulo Paim anunciou a realização de uma nova agenda em Pinheiro Machado para reunir os órgãos envolvidos e acelerar a implantação do memorial.

Os Lanceiros Negros

Os Lanceiros Negros eram homens escravizados que integraram as tropas farroupilhas durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), após receberem a promessa de liberdade ao fim da guerra.

Em 14 de novembro de 1844, no Cerro do Porongo, atual município de Pinheiro Machado, centenas desses combatentes foram desarmados e mortos por tropas imperiais no episódio conhecido como Massacre de Porongos. A promessa de liberdade jamais foi cumprida, e o massacre tornou-se um dos principais símbolos da luta pela preservação da memória da população negra no Rio Grande do Sul.

Em 2024, os Lanceiros Negros foram inscritos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O reconhecimento reforçou a mobilização em torno do tombamento do Cerro do Porongo e da construção de um memorial que preserve a memória do episódio e estimule a reflexão sobre o racismo, a escravidão e a formação histórica do país.

FONTE: JORNAL EXTRA CLASSE