Ascar celebra 71 anos de desenvolvimento e melhoria de vida no meio rural do RS
Ao completar 71 anos de atuação no Rio Grande do Sul no próximo dia 02 de junho, a Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Ascar) é responsável pelo atendimento a 220 mil famílias que vivem no meio rural do Estado, sejam agricultores e pecuaristas familiares, pescadores artesanais, de comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, e assentados. Essa diversidade de públicos reflete a pluralidade de ações que a Emater/RS-Ascar desenvolve nos 497 municípios gaúchos.
Essa atuação conjunta Emater/RS-Ascar se consolidou em 14 de março de 1977, quando, por decisão da Assembleia Legislativa e do Governo do Estado, a Ascar e a Emater/RS passam a atuar de forma conjunta, no desenvolvimento de ações de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters).
A essência da fundação da Ascar, em 1955, foi promover o desenvolvimento da agricultura e o bem-estar das famílias rurais, por meio da assistência técnica e do crédito supervisionado. Mas a história da Extensão Rural e Social é de 1951, quando a então Secretaria da Agricultura do Estado promoveu um curso de extensão rural e conservação do solo voltado à atualização técnica dos funcionários, com a participação do engenheiro agrônomo Miguel Bechara, da Secretaria da Agricultura de São Paulo, que trouxe para o Brasil o modelo norte-americano de extensão rural. Esse modelo foi adotado como referência para a criação, em 1948, da Associação de Crédito e Assistência Rural (Acar), primeira entidade brasileira de extensão rural, que passou a se chamar Emater-MG.
Já no RS, a Ascar iniciou seu trabalho com 28 extensionistas rurais, sendo 15 mulheres (extensionistas sociais) e 13 homens (extensionistas agropecuários), capacitados por três meses no Centro de Ensaio e Treinamento de Engenharia Rural (Ceter), na Fazenda Ipanema, em Sorocaba-SP. A partir do curso, o trabalho da Ascar se expande e, em 1956, são implantados os primeiros escritórios locais nos municípios de Bento Gonçalves, Canguçu, Estrela, Lajeado, Pelotas, São Lourenço do Sul, São Sebastião do Caí e Taquara, com forte adesão de pequenos produtores.
A atuação social da Ascar ganhou força por meio de clubes do lar, atividades comunitárias e programas voltados à saúde, alimentação, habitação e liderança rural. Surgem então os escritórios regionais em Passo Fundo, Santa Rosa, Porto Alegre e Pelotas. Em 1965, com dez anos, a Ascar contava com 42 escritórios municipais e 144 clubes 4-S (Saber, Sentir, Saúde e Sentir), voltados à juventude rural, distribuídos pelo Estado, com 3.448 sócios.
ATUAÇÃO CONJUNTA E FOCO NO SOCIAL
Com a criação da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater), em fevereiro de 1975, alguns estados transformam as estruturas da Ascar em órgãos de assistência técnica e extensão rural (Emater). No RS, a Ascar foi mantida como entidade filantrópica e, com a Emater/RS, entidade privada sem fins lucrativos, passa a atuar através de um protocolo de ação conjunta, sendo denominada Emater/RS-Ascar.
De lá para cá, foram desenvolvidas atividades visando à melhoria nas condições de vida das famílias do meio rural em todas as áreas produtivas, realçando o Social no trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) prestado pela Emater/RS-Ascar.
Em 2013, é instituída a Política Estadual de Aters (Peaters) e criado o Programa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Proaters), cuja Lei Estadual nº 14.245 torna obrigatória a manutenção da Aters pública e contínua no RS. É quando a Emater/RS-Ascar executa a 1ª Chamada Pública de Aters Indígena no país e, em 2014, lançado o Guia Prático das Ações Sociais.
DESTAQUES NO TEMPO
A partir de 2016, a Emater/RS-Ascar participa de oficinas do então Ministério de Desenvolvimento Social (MDS), hoje Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), para discutir assistência social no meio rural e lança documento técnico sobre suas ações socioassistenciais. Em 2020, é elaborado o Boletim Integrado Agrometeorológico, uma ferramenta de monitoramento da estiagem feito pela Emater/RS-Ascar, Secretaria Estadual da Agricultura e Instituto Riograndense do Arroz (Irga).
Em 2021, com a Resolução CNAS 27/2011, implementa ações estruturadas de assistência social. As Resoluções do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) são atos normativos que regulamentam, orientam e fiscalizam o Sistema Único de Assistência Social (Suas) no Brasil.
Na área ambiental, os projetos de recuperação iniciam em 2018, com foco em conservação de nascentes e áreas degradadas. Entre 2021 e 2024, são firmadas parcerias com a Sicredi, para conservação de nascentes, e com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), para recuperação de Áreas de Proteção Permanente (APPs) nas bacias hidrográficas dos rios Gravataí e Sinos.
Em 2022, a Emater/RS-Ascar participa do Relatório Técnico com o Perfil das Mulheres Rurais do RS e do Diagnóstico das Comunidades Quilombolas e, em 2024, do Diagnóstico das Aldeias Guarani, com dados sobre vulnerabilidades e potencialidades.
Ainda em 2024, em parceria com diversas instituições, a Emater/RS-Ascar lança o Programa Young Farmers, promovendo o intercâmbio internacional no Canadá para jovens agricultores que participaram dos cursos de Empreendedorismo e Desenvolvimento para a Juventude Rural, e realiza curso de qualificação em Aters para povos quilombolas, com a PUCRS e a SDR.
Com o foco permanente de se manter conectada às temáticas atuais, a Emater/RS-Ascar executa o Projeto ABC+RS, priorizando práticas agrícolas de baixa emissão de carbono e, após as enchentes que atingiram o Estado no final de 2023 e em maio de 2024, opera, a partir de 2025, o Programa Terra Forte, voltado à recuperação produtiva e resiliência climática da agricultura familiar, desenvolvido de forma conjunta com o Irriga+RS, que incentiva os agricultores a implantarem ou ampliarem a área irrigada em suas propriedades. Por meio da subvenção econômica, o Governo repassa 20% do valor do projeto, limitado a até R$ 150.000,00, para quem investir em sistemas de irrigação e reservatórios de água.
Ao celebrar os 71 anos ininterruptos de atuação no RS, fortalecendo e melhorando as condições de vida de quem vive no meio rural, a Emater/RS-Ascar reafirma seu papel essencial no desenvolvimento rural, unindo inovação, sustentabilidade e compromisso social.
VOZES QUE ECOAM
Na região de Passo Fundo, no município de Ciríaco, a agricultora familiar Salete Meirelles diz que sempre teve o apoio e a atenção dos extensionistas rurais da Emater/RS-Ascar “No tempo em que fiquei como presidente do sindicato, tive uma parceria muito boa com a extensionista Sônia (Reginato de Oliveira) e com extensionista Luiz Fernando (de Oliveira), porque o alvo do nosso trabalho é os agricultores”, recorda Salete, ao destacar o trabalho conjunto com as mulheres nas comunidades.
Entre as políticas públicas que beneficiaram a família, Salete cita o Programa Rural Sustentável. “Através da Emater, a gente foi muito bem atendido e muito bem valorizado. Para nós, agricultores, a Emater é essencial em tudo. A gente precisa de alguma coisa e eles estão sempre prontos”, complementa.
No município de Santo Augusto, na região Noroeste do Estado, o produtor Evandro Langner, filho de agricultores, destaca seu agradecimento ao extensionista Dhonatha Santo Rigo, pelo auxílio na construção de um galpão, que possibilita à família “armazenar o próprio grão e agregar um pouquinho mais de valor no que a gente produz na propriedade”, diz.
Em Glorinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, o piscicultor Cleiton Oliveira Santos avalia o trabalho da Emater/RS-Ascar, e diz considerar muito importante, principalmente para levar conhecimento aos produtores. “A Emater me ajudou desde o início, com o projeto dos tanques, passando pela elaboração da planta do frigorífico, e agora recebo um bom apoio na parte das feiras e da comercialização”, diz o piscicultor.
A jovem Maria Eduarda Naibert Pandolfo é responsável pelo marketing da Agroindústria Famiglia Pandolfo, pioneira na criação, processamento e comércio de carne do tipo Angus do município de Campo Bom. Segundo ela, “a Emater ajudou a gente desde sempre. Ela realizou o sonho do meu avô de construir uma agroindústria familiar, que antes era só cuidar do gado, e para mim agregou muito no conhecimento sobre o agro”, diz, ao mencionar que participou do Curso de Empreendedorismo e Desenvolvimento da Juventude Rural da Emater/RS-Ascar em 2025.”É muito bom poder ajudar mais a minha família na produção”, desabafa.
“São exemplos como esses que a Emater/RS-Ascar constrói em todo o Estado, garantindo no dia a dia o desenvolvimento e a melhoria das condições de vida no meio rural. É com dedicação e confiança que os extensionistas fortalecem culturas e modos de viver, valorizando a história, os sonhos e a experiência de vida de cada família que atendemos”, avalia o presidente da Emater/RS e superintendente geral da Ascar, Claudinei Baldissera, ao parabenizar os extensionistas rurais do RS e dos demais estados brasileiros, onde a Extensão Rural e Social é vivida e celebrada.
Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar













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