Clima favorece bom desenvolvimento das culturas de inverno na região

Clima favorece bom desenvolvimento das culturas de inverno na região
Foto: Jose Schafer/ Emater/RS-Ascar

Canola ganha destaque, passando, em um ano, de 3,6 mil para sete mil hectares cultivados na região

As lavouras de inverno seguem em bom desenvolvimento na região de Passo Fundo, com destaque para o trigo, a aveia e a canola. De acordo com o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, a safra até o momento apresenta boas condições, com potencial produtivo considerado satisfatório, embora ainda restem etapas decisivas pela frente.

Segundo Adami, o trigo continua sendo a principal cultura de inverno no cenário regional. Atualmente, as lavouras estão em fase de alongamento, após o perfilhamento, período em que a planta emite novos colmos a partir da semente original, garantindo maior densidade e, consequentemente, aumento da expectativa de produção de grãos. Em breve, inicia-se a fase de emborrachamento e emissão das espigas, etapas que marcam o ritmo acelerado do ciclo de desenvolvimento da cultura. “Estamos em uma condição boa de desenvolvimento, até o momento, com um bom potencial produtivo”, ressaltou Adami, lembrando que o período mais crítico do trigo ocorre na floração e formação de grãos. Nessas fases, chuvas intensas e prolongadas podem favorecer a entrada de fungos, como giberela e brusone, que comprometem a produtividade.

A colheita do trigo costuma ocorrer em novembro. Neste ano, devido ao excesso de chuvas que retardaram o plantio, a expectativa é de que os trabalhos se concentrem na primeira quinzena do mês. Já a aveia apresenta um avanço maior no ciclo, encontrando-se, em grande parte, nas fases de floração e formação de grãos.

 

Canola: uma cultura em expansão

Entre as culturas de inverno, a canola desponta como uma alternativa cada vez mais atrativa. Adami destacou que a oleaginosa vem conquistando espaço tanto no Estado quanto na região de Passo Fundo, contribuindo não apenas para a cobertura do solo, mas também para a geração de renda aos produtores. “A canola está ocupando um espaço importante, porque o produtor precisa buscar renda no inverno também, não só no verão”, explicou. Ele lembrou que a cultura já ultrapassou a fase de floração na maioria das áreas, entrando no estágio de formação de vagens e enchimento de grãos, com potencial produtivo dentro do esperado.

O supervisor regional da Emater ressaltou ainda o crescimento da área plantada. Na região de Passo Fundo, a canola passou de 3.600 hectares para quase 7.000 hectares em um ano. Em nível estadual, o aumento também foi expressivo, saltando de 150 mil para 200 mil hectares. Esses números evidenciam o fortalecimento da cultura no conjunto das lavouras de inverno.

Apesar do avanço, a rentabilidade ainda depende de fatores como o preço de mercado e as condições climáticas. “O produtor também não pode arriscar. Os preços não estão muito atrativos ainda, e esse é um fator importante”, ponderou Adami. Mesmo assim, ele reforça que a canola cumpre uma dupla função: proteger o solo durante o inverno e oferecer uma alternativa economicamente viável, com um índice razoável de lucratividade.

 

Rotação e da cobertura do solo

Outro aspecto enfatizado por Adami é a importância da rotação de culturas. A inserção da canola, que não pertence ao grupo das gramíneas, possibilita a alternância em relação a trigo e aveia, favorecendo a saúde do solo e reduzindo riscos de pragas e doenças.

Na avaliação do supervisor, a cobertura do solo é hoje um dos grandes desafios da agricultura regional. Ele alerta para os riscos do pousio, deixar a terra descoberta após a colheita da soja, especialmente nos meses de abril, maio e junho. Nesse período, chuvas excessivas podem causar sérios danos, levando à perda de fertilidade e dificultando a recuperação do solo. “Demora muito tempo para recuperar as condições ideais de fertilidade de um solo”, destacou, lembrando que, no ano passado, a chuva intensa nesse período provocou prejuízos significativos.

A utilização de culturas de inverno, sejam comerciais como trigo, aveia e canola, ou mesmo aquelas voltadas à integração lavoura-pecuária, desempenha papel fundamental nesse processo. Além da proteção física, essas espécies contribuem para manter a renda do produtor, seja pela venda de grãos, seja pela produção de pasto para pecuária e leite.

 

Potencial de ampliação

Na área de abrangência da regional da Emater em Passo Fundo, que cobre 42 municípios, existem cerca de 720 mil hectares agricultáveis. Atualmente, pouco mais de 200 mil hectares são ocupados por culturas comerciais de inverno. Para Adami, há espaço significativo para ampliar esse número, diversificando e fortalecendo a renda agrícola ao longo do ano.

Ele defende que os produtores mantenham o foco em estratégias que garantam cobertura vegetal em todas as fases do calendário agrícola. “Temos que pensar também na opção de algumas espécies para cobrir o solo no período de outono, porque é quando temos enfrentado maiores problemas”, apontou.

Apesar das incertezas climáticas, ora marcadas por excesso de chuvas, ora por estiagens prolongadas, a expectativa é positiva para a atual safra de inverno. “A gente torce por uma boa colheita que possa refletir positivamente para as próximas safras”, concluiu Adami.

FONTE: O NACIONAL