Getúlio Vargas debate os rumos do SUS na 10ª Conferência Municipal de Saúde

Getúlio Vargas debate os rumos do SUS  na 10ª Conferência Municipal de Saúde
Paulo Demarco falou para um auditório quase lotado. Foto: Asecom/PM GVR

Evento reuniu autoridades, profissionais da área e comunidade para refletir

sobre os desafios e soluções para o sistema público de saúde

 

Com o compromisso de “Construir a saúde que queremos”, a 10ª Conferência Municipal de Saúde de Getúlio Vargas reuniu nesta segunda-feira, 12 de maio, representantes da gestão pública, profissionais da saúde, conselheiros e cidadãos em uma jornada intensa de reflexão, escuta e proposição de caminhos para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no município.

O evento, realizado no Salão de Atos da Prefeitura, foi promovido pela Administração Municipal, por meio da Secretaria de Saúde e Assistência Social e do Conselho Municipal de Saúde. Na abertura, a presidente do Conselho, Luana Paula Vedruscolo, destacou que a conferência é “um espaço essencial de participação social, onde todos podem contribuir com ideias, identificar problemas e construir soluções coletivas que impactem diretamente na vida das pessoas”.

DESAFIOS E AVANÇOS EM PAUTA

Em um discurso marcado pela franqueza e pelo senso de responsabilidade, o secretário municipal de Saúde e Assistência Social, Elgido Pasa, afirmou que o município vive uma sobrecarga de atribuições. “Estamos absorvendo demandas que não são de responsabilidade direta do município, como internações hospitalares e exames de alta complexidade. E isso consome recursos que poderiam ser usados na atenção básica”, declarou.

Segundo ele, Getúlio Vargas investe mensalmente mais de R$ 300 mil em complementações hospitalares em instituições como os hospitais São Roque e Santa Terezinha. “A consulta médica, que o SUS paga R$ 13,50, é complementada pelo município para garantir o atendimento digno à população. Isso desequilibra o orçamento e impede avanços em outras áreas”, acrescentou.

GOVERNO DO ESTADO DEFENDE FOCO NA ATENÇÃO BÁSICA

Representando o Governo do Estado, o coordenador da 11ª Coordenadoria Regional de Saúde, Dimas Dandolini, reconheceu os esforços do município e defendeu maior investimento e valorização da atenção básica. “Se não fortalecermos a rede de atenção primária, continuaremos reféns da média e alta complexidade. Precisamos utilizar melhor os profissionais da ponta, como enfermeiros, agentes comunitários, psicólogos e nutricionistas”, disse.

Dimas também informou que a próxima reunião da Comissão Intergestores Regional (CIR) será realizada no auditório do Hospital Santa Terezinha, para debater coletivamente o modelo de cofinanciamento entre os municípios e o hospital, que hoje tem exigido complementações financeiras elevadas.

CONFERÊNCIA REFORÇA PAPEL DO SUS E DA PARTICIPAÇÃO SOCIAL

A conferência contou ainda com a palestra provocadora do biólogo e gestor em saúde, Paulo Demarco, que instigou os participantes a refletirem sobre os rumos do SUS. “O Brasil tem o maior sistema de saúde pública do mundo, mas ele está cada vez mais financiado pelo município, quando a lógica seria a União financiar, os Estados cofinanciarem e os municípios executarem”, analisou.

Paulo também criticou a baixa valorização da média complexidade pelo Governo Federal, que repassa apenas R$ 8 mil mensais para manter estruturas como pronto-atendimentos. Estamos sustentando o sistema com recursos locais, enquanto deveríamos investir mais em prevenção, em visitas domiciliares, na essência da Estratégia da Saúde da Família”, afirmou.

O palestrante defendeu, ainda, uma maior organização dos profissionais de saúde e da população para cobrar mudanças na tabela SUS, atualização de políticas públicas e maior eficiência nos fluxos de atendimento. “Precisamos fazer valer os deveres também dos usuários. Quem abandona consultas e exames prejudica o sistema como um todo”, completou.

ENFERMAGEM HOMENAGEADA NO SEU DIA

Coincidentemente com o Dia Internacional da Enfermagem, comemorado em 12 de maio, o evento prestou homenagem aos enfermeiros e enfermeiras do município. “São profissionais essenciais que acolhem, orientam e cuidam com competência e empatia. A eles, nossa mais profunda gratidão”, afirmou o secretário Elgido Pasa.

A conferência seguiu com discussões em grupo, voltadas à formulação de propostas para o Plano Municipal de Saúde. Ao final, os encaminhamentos serão sistematizados pelo Conselho Municipal de Saúde e encaminhados às próximas etapas das conferências estadual e nacional.

FORTALECIMENTO COLETIVO

Para a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Luana Vedruscolo, a 10ª Conferência reafirmou a importância do diálogo entre todos os segmentos. “Quando ouvimos a população, compreendemos suas dores e construímos juntos soluções possíveis. É assim que se fortalece a democracia e se qualifica o SUS”, destacou.

A Administração Municipal, por sua vez, reforçou seu compromisso com a escuta ativa, o planejamento participativo e a construção de uma saúde pública mais eficiente, equitativa e acolhedora para todos os getulienses.