HSVP realiza na quinta-feira o Dia D de Prevenção ao AVC

HSVP realiza na quinta-feira o Dia D de Prevenção ao AVC
Cerca de 70?s pessoas não conseguem identificar os sinais iniciais e acabam chegando tardiamente ao hospital - FOTO: UFRJ

Doença é a segunda causa de morte no Brasil, mas pode ser evitado em 80% dos casos, diz especialista

Hoje é o Dia Nacional do AVC, doença conhecida popularmente como derrame, e que é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. Segundo dados da consultoria Planisa, uma pessoa morre vítima da doença a cada seis minutos no Brasil.

O assunto foi tema da entrevista com a médica neurologista Thaise Dal Moro, integrante do corpo clínico do HSVP, concedida à Rádio UPF. A especialista explicou que o Acidente Vascular Cerebral acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, interrompendo a circulação sanguínea e provocando a paralisia da área cerebral afetada.

Dois tipos

Segundo a doutora Thaise, existem dois tipos principais de AVC: o isquêmico, responsável por cerca de 85% dos casos, ocorre quando há uma obstrução da artéria — geralmente provocada pelo acúmulo de placas de gordura ou por coágulos que se deslocam do coração — e o hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo, muitas vezes associado a aneurismas ou à hipertensão arterial não controlada.

“Diversos estudos científicos mostram que cerca de 80% dos casos poderiam ser prevenidos. Isso significa que quatro em cada cinco AVCs poderiam ser evitados com hábitos de vida saudáveis, acompanhamento médico e mudanças de estilo de vida”, destacou a neurologista.

Reconhecer os sinais

A médica reforçou que o AVC é uma emergência médica, e que o atendimento rápido é determinante para reduzir sequelas e salvar vidas. “A cada um minuto que uma artéria fica obstruída, cerca de 2 milhões de neurônios morrem por falta de oxigenação”, enfatizou.

A especialista explicou que um dos principais problemas ainda é o desconhecimento da população sobre os sintomas — cerca de 70% das pessoas não conseguem identificar os sinais iniciais e acabam chegando tardiamente ao hospital, perdendo a janela ideal de tratamento.

Para ajudar na identificação, a médica apresentou um mnemônico simples, usado por profissionais da área: SAMU. “O S é de sorrir: peça para a pessoa sorrir; se a boca estiver torta, pode ser AVC. O A é de abraço: peça para levantar os braços ou as pernas; se não conseguir, pode ser AVC. O M é de música: peça para cantar ou falar uma frase; se a fala estiver confusa ou a pessoa não conseguir falar, pode ser AVC. E o U é de urgência: leve imediatamente a um serviço de emergência, porque cada minuto conta.”

Crescimento dos casos

Além de ser a segunda causa de morte no Brasil, a doença é hoje a principal causa de incapacidade no mundo, de acordo com a Organização Mundial do AVC. O envelhecimento populacional é um dos fatores que contribuem para o aumento dos casos, mas, segundo a neurologista, a piora nos hábitos de vida e o controle inadequado das doenças crônicas também têm peso importante.

Dados da Planisa reforçam essa preocupação: entre 2019 e 2023, o número de internações por AVC praticamente triplicou no país, saltando de 8,3 mil para mais de 21 mil casos.

Para reduzir esses números, a médica destaca a importância de adotar uma rotina mais saudável. “Controlar a pressão arterial, parar de fumar, praticar atividade física ao menos cinco vezes por semana, manter uma alimentação equilibrada e cuidar do sono e do estresse são atitudes simples que fazem toda a diferença”, orientou.

Ação especial

Para chamar a atenção da população sobre o tema, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, realiza nesta quinta-feira (30) uma ação especial de conscientização, o Dia D de Prevenção ao AVC, na esquina das ruas Teixeira Soares e Uruguai. A atividade, gratuita, contará com a participação de uma equipe multiprofissional do hospital, oferecendo orientações sobre prevenção, sintomas e tratamento.

Durante o dia, os profissionais estarão reforçando a mensagem central da campanha: reconhecer os sintomas, agir rápido e prevenir. “Queremos que a população saiba que o AVC tem tratamento e pode ser prevenido. O mais importante é reconhecer os sinais e procurar ajuda médica imediatamente. Tempo é cérebro, tempo é vida”, finalizou a neurologista Thaise Dal Moro.

O NACIONAL