Unideau - Curso de Direito promove a 1ª Conferência de Enfrentamento à Violência de Gênero

Unideau - Curso de Direito promove a 1ª Conferência de Enfrentamento à Violência de Gênero


Evento teve como palestrantes a deputada estadual Delegada Nadine e a delegada Rafaela Weiler Bier

 

A 1ª Conferência de Enfrentamento à Violência de Gênero foi evento realizado pelo curso de Direito do Centro Universitário Ideau (Unideau), de Getúlio Vargas, porque o município apresenta números alarmantes nessa questão. O coordenador do curso, professor Thomaz Rocha, avalia que a instituição, por ser uma referência regional, tem que tomar a frente no debate desta questão, pois o curso tem comprometimento com a sociedade. “Não devemos trabalhar só dentro da sala de aula, mas também proporcionar momentos de debates e conversas sobre a realidade”, frisou o professor.
O evento contou com a presença de diversas autoridades, entre elas representantes dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Civil, OAB, além da direção, professores e acadêmicos de vários cursos da Unideau. E, ainda, comitivas de cidades da região.
O diretor de ensino superior da Unideau ressaltou a extrema importância e relevância do evento para a comunidade. “Formamos profissionais técnicos em diversas áreas e eles devem ter empatia por essas causas”, sublinhou o professor Vagner Bazzanello. Reforçou que esse desrespeito com a mulher é inadmissível. “Não é um problema pontual, mas sim de todos nós, de toda a sociedade. Precisamos nos dar as mãos na busca de soluções, nos solidarizando com as vítimas”, pontuou.
A 1ª Conferência de Enfrentamento à Violência de Gênero teve como mediadora a professora da instituição Lilian Lang e como conferencistas a deputada estadual Delegada Nadine, a primeira mulher chefe da PC do RS, e a delegada Rafaela Bier, titular da Delegacia da Mulher de Passo Fundo.
Reeducação cultural
A deputada estadual Delegada Nadine manifestou sua alegria de estar em casa, referindo-se a sua terra natal e também a escola onde iniciou a sua base, o Colégio Santa Clara, hoje Ideau, bem como ao ginásio lotado de alunos e pessoas da comunidade para discutir um tema que é fundamental. “Estamos todos preocupados, querendo efetivamente fazer uma virada de chave e uma mudança cultural, porque a violência contra a mulher é um fenômeno cultural”, frisou. “Ele não é um problema somente de segurança pública, ele perpassa todos os outros problemas, porque mais de 80% das mulheres que morrem não tinham ocorrência policial ou registro de ocorrência policial”, informou. E ressaltou que 75% dos casos acontecem dentro de casa, dentro de quatro paredes.
“Nada melhor do que dentro de uma universidade poder efetivamente falar sobre reeducação, sobre essa questão cultural e também sobre punição, sobre o que é possível fazer mais, que tipo de política pública está faltando”, pontuou a parlamentar, lembrando que uma de suas principais bandeiras é justamente o combate contra a violência contra a mulher.
São 22 anos como delegada de polícia, onde entrou para fazer a diferença. “Tentei criar e dar mais amplitude às Delegacias, fui coordenadora de todas as DPs, criamos as Delegacias dos Amigos dos Animais, construímos junto com a BM a Patrulha Maria da Penha, tornozeleira eletrônica, pois não queria o botão do pânico”, citou.
E num balanço desses quase quatro anos como deputada estadual, destaca os muitos projetos aprovados e a certeza de que eles irão sair do papel e fazer a diferença. “Agora tenho uma nova missão: sair às ruas, reunir as pessoas para a gente falar sobre outras formas de política pública”, anunciou. E concluiu: “Na minha visão a gente precisa ter política pública também para os homens.”
Sala das Margaridas
A delegada Rafaela Weiler Bier destacou a importância desta conferência como forma de incentivo e clareza para que seja possível chegar nas comunidades com essa temática da violência contra a mulher. Ela falou sobre os canais de denúncia, como chegar em uma Delegacia, a quem procurar. A Delegacia da Mulher oferece um atendimento exclusivo para a violência doméstica contra à mulher e para violência de gênero, envolvendo essa questão de ódio contra as mulheres, menosprezo, muitas vezes até sentimento de posse da mulher.
Getúlio Vargas não tem uma Delegacia voltada para esse atendimento. Conversando com o delegado Jorge Fraccaro Pierezan, da DP local, a delegada Rafaela falou sobre a possibilidade de implantar a Sala das Margaridas. “É uma mão da Delegacia da Mulher, para que se tenha um ambiente acolhedor para essa vítima prestar o seu depoimento com pessoas efetivamente qualificadas para atender mulheres vítimas de violência”, explicou a delegada Rafaela Bier.