Você conhece alguém com dificuldades alimentares na infância?

Você conhece alguém com dificuldades alimentares na infância?

 

 

Saiba a diferença entre o  DAP - Distúrbio Alimentar Pediátrico e o TARE - Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo

 

Colaboração: fonoaudióloga Ana Batezzini

 

DAP: é um diagnóstico mais amplo e interdisciplinar.

É o comprometimento da ingestão oral de nutrientes prejudicada, não apropriada para a idade, com duração maior que 2 semanas, associado a uma ou mais das seguintes disfunções: médica, nutricional, de habilidades alimentares e/ou psicossocial. É um diagnóstico funcional e interdisciplinar, que não exige causa psiquiátrica e pode ocorrer em crianças neurotípicas ou neurodivergentes. Inclui desde dificuldades leves até casos complexos com sonda. 

 

TARE : um diagnóstico psiquiátrico descrito no DSM-5. Ele envolve uma restrição alimentar persistente que leva a consequências clínicas importantes, MAS: sem preocupação com peso/imagem corporal (diferente de anorexia nervosa), e não explicada melhor por condição médica/cultural.

Existem 3 subtipos: 1.Baixo interesse em comer 2.Evitação sensorial 3.Medo de consequências aversivas.

 

Maio é o mês de conscientização sobre o DAP e o TARE, mas você sabe o que isso significa?

DAP é a sigla para Distúrbio Alimentar Pediátrico, envolve um diagnóstico multiprofissional, com critérios específicos e associação com um ou mais de 4 disfunções, pode ser diagnosticado pelo fonoaudiólogo, ou outros profissionais da área da saúde. 

O TARE é o Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo e envolve diagnóstico médico, e de saúde mental.

No DAP, o fonoaudiólogo tem papel central na avaliação e intervenção das habilidades alimentares gerais e principalmente motoras orais, observando aspectos como mastigação, coordenação oral, transição de texturas, eficiência e segurança da deglutição. Também atua no desenvolvimento da competência alimentar, autonomia da criança e participação nas refeições, além de orientar familiares e cuidadores sobre práticas responsivas e organização da rotina alimentar e do ambiente. Sua atuação acontece de forma interdisciplinar, em conjunto com terapia ocupacional, nutrição, psicologia, medicina, e outras áreas envolvidas no cuidado da criança.

No TARE, o papel do fonoaudiólogo está mais relacionado aos fatores funcionais que sustentam a restrição alimentar, especialmente quando há dificuldades que envolvem texturas e consistências - questões sensoriais (porém a terapia ocupacional que vai fazer a integração sensorial), e dentro do contexto de terapia alimentar responsiva. O trabalho envolve ampliar a segurança e o conforto alimentar, e apoiar a construção de experiências positivas com os momentos de refeição e consequentemente com os alimentos em si. Embora o diagnóstico seja psiquiátrico, o fonoaudiólogo, assim como outras áreas da saúde e educação, contribuem na terapia alimentar.

 

Sinais de alerta:

 

Os sinais de alerta para dificuldades alimentares na infância vão além da “seletividade” e envolvem situações em que a alimentação começa a impactar em mais âmbitos da vida da criança e da família. Por exemplo: o crescimento, o desenvolvimento, a saúde ou a dinâmica familiar. Entre os principais sinais estão: baixo ganho de peso ou perda de peso persistente, engasgos, tosse, ânsia de vômito ou vômitos frequentes durante as refeições, além de dificuldades na coordenação entre respiração e alimentação. Também chamam atenção crianças que apresentam grande sofrimento ao comer, arqueiam o corpo, choram frequentemente nas refeições ou possuem histórico de experiências traumáticas, como episódios importantes de engasgo.

Outro ponto importante é observar o desenvolvimento das habilidades alimentares. A dificuldade para avançar texturas na transição alimentar para alimentos sólidos ou uso outros utensílios, dentro das faixas etárias esperadas pode indicar alterações motoras orais, sensoriais ou comportamentais relacionadas à alimentação. Prestar bastante atenção quando a criança aceita uma quantidade muito limitada de alimentos, exclui grupos inteiros de texturas ou deixa de comer alimentos que antes aceitava sem substituí-los por novos.

Além dos sinais apresentados pela própria criança, a dinâmica familiar durante as refeições também é um indicador relevante. Refeições que se transformam constantemente em batalhas, pais extremamente preocupados, cansados ou angustiados com a alimentação da criança e relatos frequentes de que a criança é “muito difícil de alimentar” podem indicar que a dificuldade já está impactando o bem-estar emocional da família. Quanto mais cedo esses sinais forem identificados, maiores as chances de uma intervenção preventiva e de melhores desfechos para a criança e sua família.

 

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ASSESSORIA DE IMPRENSA DO HC DE PASSO FUNDO