Agroturs: potencial de expansão das agroindústrias e do turismo rural são foco do evento

Agroturs: potencial de expansão das agroindústrias e do turismo rural são foco do evento
Agroturs_-_Foto_Rejane_Paludo

Agroindústria e turismo rural são duas áreas trabalhadas fortemente pela Emater/RS-Ascar e que se complementam e se fortalecem. Enquanto a agroindústria familiar agrega valor às experiências turísticas no meio rural, o turismo rural é uma vitrine para os produtos da destes empreendimentos. Juntos, eles geram ainda mais desenvolvimento econômico e social.

Essa dinâmica entre os dois setores está sendo apresentada no Agroturs - Territórios que Produzem, Experiências que Encantam, evento que acontece nesta quarta e quinta-feira (1º e 02/07), na Sociedade Tiro ao Alvo, em Nova Petrópolis. A programação conta com palestras e painéis temáticos, relatos de experiências de sucesso, visitas técnicas e degustações guiadas.

Estiveram presentes na abertura do evento o secretário de Desenvolvimento Rural (SDR) Gustavo Paim, o presidente e o diretor técnico da Emater/RS, respectivamente, Claudinei Baldissera e Mateus Soares da Rocha, o prefeito de Nova Petrópolis, Daniel Michaelsen, e representantes de entidades parceiras.

Baldissera destacou aos participantes a relevância do evento que ocorre em Nova Petrópolis, que é um roteiro importante do turismo no RS, e que envolve duas áreas de atuação – a agroindústria familiar e o turismo rural – conduzidas pela SDR e trabalhadas pela Emater/RS-Ascar em conjunto com os municípios. “Temos aqui o encontro dessas duas frentes, que junto com os outros sistemas de produção agrícola, vegetal e animal do Estado do Rio Grande do Sul, o processo de transformação de alimentos, o contar a história dos alimentos, que se entrelaça com as opções de turismo que nós temos e do turismo rural”, frisou.

O Agroturs acontece de forma concomitante ao tradicional Festival Sabores da Colônia, que reúne feira da agroindústria familiar, gastronomia, apresentações culturais, shows e diversas atrações na Rua Coberta, até domingo (05/07). “Estivemos no Festival no sábado e vimos o quanto de engajamento os agricultores e as comunidades rurais têm, dos turistas e da população, quando se fala dos produtos e de tudo aquilo que vem da agricultura familiar”, ressaltou Baldissera.

 

Como está e integração entre a agroindústria e o turismo

Um dos destaques da programação desta manhã do Agroturs foi a apresentação, pelo secretário Paim, dos resultados parciais do Diagnóstico Socioeconômico do Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf). O levantamento da SDR e da Emater/RS-Ascar mostra que 21% dos empreendimentos já desenvolvem atividades turísticas e identifica alta demanda por assistência técnica para expandir o turismo rural nas agroindústrias familiares gaúchas. Entre os empreendimentos que ainda não atuam no segmento, quase metade demonstra interesse em iniciar ou ampliar essas atividades.

Os dados que integram o Censo da Agroindústria Familiar 2026, realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), contou com a participação de mais de quatro mil famílias e investigou aspectos relacionados à gestão, inovação, sucessão familiar, qualidade de vida e desenvolvimento dos empreendimentos. Nesta etapa, o recorte concentra-se exclusivamente no turismo rural.

Entre as propriedades que recebem visitantes, a venda direta ao turista e a degustação de produtos coloniais são as atividades mais frequentes, presentes em 70% dos empreendimentos. Também se destacam as visitas guiadas às agroindústrias (63%) e às propriedades rurais (49%), além da realização de eventos, oferta de refeições típicas, vivências rurais e hospedagem.

Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o turismo rural reúne desenvolvimento econômico e valorização da identidade do campo. "O turismo rural consegue unir desenvolvimento econômico e valorização da nossa história, da nossa cultura e da essência do meio rural. É uma atividade que gera renda, fortalece a permanência das famílias no campo, contribui para a sucessão rural e melhora a qualidade de vida dos agricultores. Esse é um caminho importante para fortalecer a agricultura familiar e criar novas oportunidades no interior”, analisou Paim.

O levantamento mostra ainda que 49% dos empreendimentos que não atuam ou pretendem ampliar sua participação no turismo rural manifestam interesse moderado, elevado ou muito elevado em investir na atividade.

Os resultados indicam que a ampliação do turismo rural está associada à oferta de assistência técnica, qualificação, infraestrutura e integração entre as políticas de Agroindústria e Turismo.

 

Casa Zottis é um exemplo

Um dos relatos de experiência de sucesso que aconteceram nesta manhã foi o da enóloga Daniela Zottis, da Vinícola Casa Zottis, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Ela conta que a família, que produzia e vendia uva, criou a agroindústria de vinhos em 2020 e, já no ano seguinte, iniciou no turismo rural. Daniela relata que apesar das feiras serem importantes, a renda principal hoje vem da venda dos vinhos por meio do turismo rural. “Eu vendo 75% lá na propriedade, 20% em feira e 5% em restaurante. Então, a gente consegue ter a renda na propriedade mesmo”, declara. Além da venda direta dos produtos, a vinícola possibilita experiências como a colheita e pisa da uva na safra, piquenique, visitas com degustação, sabragem e almoços. E o próximo desafio, segundo ela, é dispor de mais atividades específicas para as crianças. 

A vinícola também recebe a visita de muitos grupos de produtores interessados na atividade, com as quais a família compartilha sua experiência e conhecimento. “Tem que ser coisa simples, não precisa ser uma coisa super estruturada. As pessoas querem viver o dia a dia da propriedade, querem que a gente conte a nossa história”, comenta. Ela aconselha ainda que se a propriedade só tem um produto, pode agregar de outras agroindústrias; se não quer atender todo dia, pode adequar o atendimento à sua necessidade; se tem medo de não ter clientes, faça a divulgação que aos poucos as pessoas irão conhecer, mas o importante é dar o primeiro passo.

E para isso, ela também considera que foi fundamental o apoio que teve da Emater/RS-Ascar, desde o registro e estruturação da agroindústria, do Sebrae, e de políticas públicas que possibilitaram o financiamento para a construção da loja e a aquisição de equipamentos para a agroindústria, entre elas o Feaper.

 

Assessoria de Imprensa Emater/RS-Ascar

Jornalista Rejane Paludo

Ascom SDR

Jornalista Guilherme Granez