Comunidades quilombolas ganham espaço de participação e diálogo na 49ª Expointer
Representantes de comunidades quilombolas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul participaram de uma programação voltada à troca de experiências, à valorização de saberes e ao debate sobre os desafios enfrentados pelos territórios. A atividade foi realizada no espaço da Emater/RS-Ascar, cujo tema deste ano é "Família e suas ruralidades", no primeiro dia da 49ª Expointer (29/8). A feira é realizada no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
A programação abriu espaço para manifestações das próprias comunidades sobre produção, cultura, educação, saúde, permanência no campo e reconhecimento de suas especificidades. Participaram da atividade quilombolas de Mostardas, Tavares, Palmares do Sul e São José do Norte, além de extensionistas, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas.
Na abertura, o presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, destacou o trabalho desenvolvido junto às comunidades e a importância de manter espaços para que suas demandas e experiências integrem as discussões da extensão rural e social. "Que esse dia seja proveitoso para debater os trabalhos que se fazem em conjunto", afirmou.
"O Dia Quilombola na casa da Emater é uma conquista quilombola construída em parceria com diversos agentes. Um ambiente de diálogo em favor da agricultura quilombola como parte constitutiva da agricultura familiar gaúcha", ressaltou a extensionista rural Regina Miranda.
Da invisibilidade à ocupação dos espaços
Uma das manifestações foi de Flávio Machado, da comunidade quilombola de Vila Nova, de São José do Norte. Ao recordar visitas à Expointer no final da década de 1990, ele relatou que, naquela época, não se reconhecia naquilo que encontrava na feira.
"Minha participação ocorria apenas pela condição de agricultor familiar, sem que a identidade quilombola estivesse representada", disse ao reforçar a necessidade de se considerar as particularidades sociais, culturais e produtivas dos territórios no trabalho de assistência técnica e extensão rural e social. "Reconhecer essas diferenças é fundamental para que as comunidades possam participar efetivamente dos processos de desenvolvimento rural. E ocupar esses ambientes nos permite mostrar outras formas de viver, trabalhar e produzir", argumentou.
Machado finalizou relacionando a permanência de novas gerações no meio rural à necessidade de acesso ao conhecimento e a tecnologias capazes de reduzir a penosidade do trabalho nas propriedades.
Famílias e suas ruralidades
A extensionista rural Fernanda Gilli explicou que, além dos quilombolas, o espaço da Emater/RS-Ascar dará visibilidade à diversidade existente no meio rural durante todo o evento. "A proposta é mostrar que não há uma única forma de viver, produzir e se relacionar com o território, mas que há diferentes famílias, culturas, saberes e modos de vida", detalhou.
A extensionista acrescentou que considerar essas particularidades é fundamental para um trabalho capaz de contribuir para a autonomia das famílias, a geração de renda, a segurança e a soberania alimentar, bem como para a sucessão rural e a participação de mulheres e jovens.
Um dia para cada público
- Sábado (29/8) - Remanescentes de quilombolas
- Domingo (30/8) - Assentados da reforma agrária
- Segunda-feira (31/8) - Pesca artesanal e aquicultura
- Terça-feira (1º/9) - Agricultura familiar
- Quarta-feira (2/9) - Juventude rural
- Quinta-feira (3/9) - Pecuária familiar
- Sexta-feira (4/9) - Mulheres rurais
- Sábado (5/9) - Indígenas
- Domingo (6/9) - Agricultura urbana
Texto: Ascom Expointer
Edição: Ascom Expointer













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