Ecos do Granizo: a Resiliência da Memória

Ecos do Granizo: a Resiliência da Memória
Wallace Soares - secretário de Cultura, Esporte e Economia Criativa de Erechim e Henrique Trizotto - historiador e coordenador do Arquivo Histórico

Hoje, (26/06/2026), marca a reinauguração do Arquivo Histórico Municipal de Erechim, pouco mais de sete meses após ao fatídico 23/11/2025 e a chuva de granizo que causou avarias significativas no Acervo. Muito mais que uma prestação de contas à comunidade, este artigo busca agradecer a todos e todas que ajudaram para a superação desta intempérie e publicizar sinteticamente o longo caminho até a reabertura do espaço.

A sala da hemeroteca e do Arquivo Permanente tiveram o teto comprometido, colocando em risco parte importante da memória da Capital da Amizade. Nos dois primeiros dias de trabalho, cerca de 270 caixas de arquivo precisaram ser substituídas. Aproximadamente 70% da coleção de jornais foi comprometida, incluindo exemplares históricos do Diário de Notícias de Porto Alegre, da Voz da Serra e do Diário da Manhã. Mais de 30 voluntários se mobilizaram para separar os materiais secos, que foram enviados à sala de reserva técnica do Arquivo Histórico junto ao Pavilhão do Natal, dos molhados, que exigiram tratamento especial de secagem

Tivemos visitas técnicas de especialistas do Sistema Estadual de Museus, do Departamento de Memória e Patrimônio e do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (IPHAE/RS). Servidores do Arquivo Público do Estado do RS, que ofereceram suporte, trazendo materiais de proteção e equipamentos.

Para conter o avanço do mofo, a 19ª Região Tradicionalista emprestou freezers, permitindo congelar volumes de jornais já afetados. Bolsistas da Universidade Federal da Fronteira Sul, vinculados ao projeto “Ação humanitária no enfrentamento da emergência climática em Erechim”, atuaram na higienização e conservação dos documentos entre janeiro e maio. Ainda em janeiro de 2026, a historiadora Nôva Brando, do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, que também atuou no processo de recuperação dos acervos comprometidos pela enchente, ministrou treinamento sobre técnicas de higienização e conservação, qualificando ainda mais o trabalho de preservação.

Desde 30 de dezembro de 2025, uma ordem de serviço suspendeu as atividades de pesquisa e atendimento ao público. A reestruturação do espaço exigiu investimentos significativos: dois desumidificadores, uma nova mesa de recepção, estantes metálicas para a hemeroteca, mapoteca e acervo fotográfico, além de cinquenta e três prateleiras metálicas para o acervo permanente.

O Arquivo Histórico se reinventou, mas sem perder sua essência de salvaguarda da memória local. A solidariedade da comunidade foi essencial para sairmos mais fortes da adversidade e evitar perdas documentais irreparáveis, por isso, reiteramos nosso agradecimento a todos e todas que se mobilizaram e contribuíram nessa jornada de resiliência.

 

Por Wallace Soares - secretário de Cultura, Esporte e Economia Criativa de Erechim e Henrique Trizotto - historiador e coordenador do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font