Órfãos do Eldorado, por Milton Hatoum. Dica de leitura da semana.
Ambientado no final do ciclo seringueiro da Amazônia, um romance breve e inesquecível de um dos maiores autores brasileiros do nosso tempo.
Numa cidade à beira do rio Amazonas, um passante vem procurar abrigo à sombra de um jatobá e, incauto ou curioso, dispõe-se a ouvir um velho com fama de louco. É o que basta para Arminto Cordovil começar a contar a história de Órfãos do Eldorado, num vaivém entre a miragem e a matéria: a história de seu próprio amor desesperado por Dinaura, em primeiro lugar, mas também, em círculos concêntricos que se expandem e se contraem, a crônica de uma família, de uma região e de toda uma época que, à base de seiva de seringueira e crédito inglês, quis encarnar os sonhos seculares de um Eldorado amazônico.
Com as figuras admiráveis de Arminto e Dinaura, Florita e Estiliano, Juvêncio e Denísio Cão, Milton Hatoum concentra numa novela de sonho e pesadelo a vasta matéria romanesca que vem explorando, cada vez mais fundo, desde Relato de um certo Oriente, Dois irmãos e Cinzas do Norte.
MILTON HATOUM nasceu em Manaus, em 1952. Estudou arquitetura na USP e estreou na ficção com Relato de um certo Oriente (1989), vencedor do prêmio Jabuti (melhor romance). Seu segundo romance, Dois irmãos (2000), foi adaptado para televisão, teatro e quadrinhos. Com Cinzas do Norte (2005), Hatoum ganhou os prêmios Jabuti, Livro do Ano, Bravo!, APCA e Portugal Telecom. Em 2006, publicou o livro de contos A cidade ilhada. Sua primeira novela, Órfãos do Eldorado (2008), foi adaptada para o cinema. Em 2013, lançou Um solitário à espreita (crônicas) e, em 2017, A noite da espera, primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio. Sua obra de ficção, publicada em catorze países, recebeu em 2018 o prêmio Roger Caillois (Maison de l’Amérique Latine/Pen Club-França).
CIA DAS LETRAS













Comentários (0)