Erva-mate gaúcha é destaque em competição mundial
Produtos do Rio Grande do Sul conquistam as principais classificações em concurso internacional realizado em Buenos Aires
A tradição do chimarrão ganhou reconhecimento internacional. A qualidade da erva-mate produzida no Rio Grande do Sul foi um dos grandes destaques do 1º Mundial de Erva-Mate, realizado entre os dias 5 e 7 de junho, em Buenos Aires, na Argentina. O evento reuniu amostras de diferentes países e colocou em avaliação produtos de diversas regiões produtoras.
O engenheiro agrônomo da Emater Regional de Passo Fundo, Ilvandro Barreto, participou do júri da competição e acompanhou de perto a avaliação das ervas-mates. Para ele, o resultado confirmou a qualidade do produto gaúcho e mostrou que o trabalho desenvolvido no Estado tem refletido diretamente na melhoria dos processos de produção. “Foi uma prova de que aquilo que vem sendo trabalhado desde 2017, com os cursos de boas práticas agrícolas e de fabricação de erva-mate, está dando resultado. Temos produtos de qualidade”, destacou o extensionista.
Competição reuniu mais de 400 amostras
A primeira edição do Mundial de Erva-Mate superou as expectativas dos organizadores. Inicialmente, eram esperadas cerca de 150 amostras, mas o número passou de 440 produtos inscritos. Participaram ervateiras do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e até uma amostra da Polônia.
O júri foi formado por 40 avaliadores de seis países, entre engenheiros, especialistas em erva-mate, sommeliers de bebidas e profissionais ligados à análise sensorial. As amostras foram avaliadas sem identificação das marcas, utilizando apenas códigos, garantindo uma análise técnica e imparcial.
Os produtos passaram por diferentes critérios, divididos em três categorias principais: avaliação visual, olfativa e de sabor. Foram observados aspectos como moagem, presença de palitos, características da erva seca, aroma, infusão e também a tradicional preparação do chimarrão na cuia. “Não era uma erva competindo contra outra. Cada produto precisava mostrar sua própria qualidade e buscar sua classificação”, explicou Ilvandro.
Produção gaúcha de qualidade
Entre as 440 amostras avaliadas, 358 receberam alguma classificação dentro das categorias do concurso: bronze, prata, ouro e “Gran Ouro”, a maior premiação da competição, destinada às ervas que alcançaram 94 pontos ou mais.
As ervas gaúchas tiveram ótimo desempenho. O Rio Grande do Sul teve produtos classificados com as principais premiações, incluindo oito ervateiras que conquistaram o “Gran Ouro”. A melhor colocação entre as marcas gaúchas ficou com a Ervateira Amável, de Ilópolis.
Para Ilvandro, um dos pontos mais importantes foi que o bom desempenho não ficou concentrado em apenas uma região. Dos cinco polos ervateiros do Estado, quatro participaram enviando amostras e tiveram resultados positivos. “Isso é o mais importante. Não temos apenas um local produzindo uma boa erva-mate. Os quatro polos que participaram mostraram um padrão de qualidade elevado”, afirmou.
A região do Alto Uruguai, por exemplo, teve representantes entre os premiados. Ervateiras de municípios como Barão de Cotegipe, Ilópolis, Venâncio Aires e Machadinho também tiveram produtos reconhecidos.
Trabalho de qualidade começa antes da indústria
Segundo o representante da Emater, o resultado do concurso também reforça a importância dos cuidados adotados durante toda a cadeia produtiva. O Rio Grande do Sul é o único estado brasileiro onde as boas práticas de fabricação da erva-mate são obrigatórias para as indústrias, conforme regulamentação estadual.
O processo envolve capacitação dos responsáveis técnicos das ervateiras e acompanhamento contínuo das etapas de produção. “A erva-mate é um alimento e precisa ser um alimento seguro para quem consome. Esse trabalho contribuiu muito para a melhoria da qualidade do produto gaúcho”, destacou.
Diferenças culturais
Durante o concurso, os jurados também perceberam diferenças relacionadas ao consumo tradicional da erva-mate em cada país. Enquanto o chimarrão gaúcho costuma ter características próprias, como sabor mais suave em alguns produtos, consumidores argentinos possuem preferência por ervas mais intensas.
Segundo Ilvandro, essa diferença cultural precisou ser considerada durante as avaliações. “O sabor tem um aspecto subjetivo. O que para um avaliador pode ser suave, para outro pode parecer fraco. Por isso, era importante analisar também as características de cada produto”, explicou.
Novas edições
Além de reconhecer a qualidade das ervas produzidas, o Mundial também abriu espaço para uma nova forma de valorização do produto. A expectativa é que o evento tenha continuidade nos próximos anos.
Para Ilvandro, a competição deve servir como incentivo para que as indústrias continuem aprimorando seus produtos. “As empresas que enviaram suas amostras confiaram na qualidade do que produzem. Um concurso desse nível funciona como uma validação e ajuda a mostrar ao consumidor a força da erva-mate produzida no Estado”, concluiu.
O NACIONAL.













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