A pátria além do palanque, por Neivo A . T. Fabris. Coluna de 10/9/2026

A pátria além do palanque, por Neivo A . T. Fabris. Coluna de 10/9/2026

A pátria além do palanque

 

A cada amanhecer do dia sete de setembro, a memória me transporta para o ano de 1967. Em meio ao conturbado cenário político, a nação celebrava o 145º aniversário da independência, ocorrido às margens do Arroio Ipiranga. Na companhia da professora Hebe Bonfiglio e dos colegas do 1º ano do ensino primário da Escola Estadual Padre Manoel da Nóbrega aguardávamos, com as demais turmas do tradicional educandário instalado no número 658 da Rua Dr. João Carlos Machado, a chamada para a entrada na Rua Erechim para o desfile. Na cadência da banda escolar, formada apenas por instrumentos de percussão, seguimos em direção à Prefeitura Municipal, aplaudidos pela comunidade. No Altar da Pátria, as autoridades dos três poderes, o Cônego Stanislau Olejnik, as Bandeiras Nacional, Estadual e Municipal. E o Fogo Simbólico da Pátria, trazido pela Liga de Defesa Nacional e uma delegação de estudantes dos educandários da cidade.

II - Cívicas, patrióticas, solenes e institucionais, para ficar apenas com quatro adjetivos, as celebrações da mais importante efeméride do calendário nacional no município de Getúlio Vargas seguiram incólumes. A edificação do novo Altar da Pátria na Praça do Colégio Estadual Antônio Scussel, em frente à Igreja Matriz, alterou o local dos desfiles. Houveram anos em que eles foram realizados na Avenida Severiano de Almeida, sempre com grande público. E a tradição segue incólume, com uma programação especial realizada ao longo da semana. Mas os desfiles do dia Sete de Setembro deixaram de acontecer no município que tem como patrono o presidente que por mais tempo governou o Brasil. Não menos importante, a programação do Acampamento Farroupilha, que neste ano chega a sua 16ª edição, reserva o dia 20 de setembro para o Desfile Farroupilha, igualmente reunindo o público que aplaude os carros alegóricos, cavaleiros, prendas e peões.

III - A cada ano, consolida-se o mesmo diagnóstico incômodo: as datas cívicas brasileiras sofrem um progressivo esvaziamento de sentido. O Sete de Setembro, marco cronológico da nossa emancipação política, parece ter se desidratado. Longe de provocar reflexões profundas sobre a soberania nacional ou a construção da cidadania, a data converteu-se, para a maioria, em feriado, de preferência prolongado, como o deste ano. Mas nada é por acaso, e decorre de uma combinação de fatores. O legítimo direito ao descanso e ao lazer acabou por ocupar o espaço que outrora pertencia à memória coletiva e à celebração da identidade nacional. Na década em curso o civismo institucional foi tragado pela polarização política. A bandeira nacional e os hinos foram  instrumentalizados como ferramenta na disputa partidária. A polarização produziu um efeito nocivo; afastou o cidadão comum que prefere o recolhimento a ver-se enredado em palanques ideológicos.

IV - O patriotismo tradicionalmente moldado por desfiles militares e discursos solenes soa abstrato e distante da realidade. Resgatar o significado do Sete de Setembro não passa por insistir em fórmulas ultrapassadas de nacionalismo passivo ou ufanista. O desafio do nosso tempo é redefinir o próprio conceito de civismo, transportando-o da teoria abstrata para a prática diária. A verdadeira soberania de um país não se mede pelo rigor de uma marcha militar, mas pelo amadurecimento de suas instituições democráticas e pelo bem-estar de seu povo. Celebrar a independência só fará sentido quando compreendermos que a pátria se constrói no cotidiano: na defesa da democracia, na busca por justiça social e no compromisso coletivo com o futuro que queremos partilhar.

 

Curtas

# O projeto de lei do Executivo que estabelece a Lei de Diretrizes Orçamentárias para o exercício de 2027 do município de Getúlio Vargas foi aprovado pela Câmara de Vereadores.
# Uma das principais peças de planejamento, a LDO define metas, objetivos e prioridades da administração pública municipal.
# A aprovação ocorreu na sessão ordinária realizada na sexta-feira (04), por unanimidade dos integrantes da casa legislativa de Getúlio Vargas.
# Também foi aprovado pedido de providências do vereador Jean Carlos Mazotti (PL) para que o Executivo realize manutenção da iluminação da Praça Sérgio Betto, e da instalação de iluminação pública na Rua Olinda Maria Morawski.
# Outro pedido, da vereadora Suzi Teresinha dos Santos (PL), para que o município realize limpeza e fechamento de terreno na Rua Orion Edler.
# Dentre as justificativas, o acúmulo de lixo e resíduos no local que por décadas abrigou a Capatazia do Daer.
# A Prefeitura de Ipiranga do Sul, por meio da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil e o Cras, vem atuando desde o dia 31 de agosto no atendimento das famílias atingidas pela tempestade de granizo.
# Nota distribuída pela assessoria de imprensa, na tarde de quinta-feira (10), dá conta que mais de 160 residências foram atingidas em diferentes pontos do município.
# De acordo com o coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Cleimar Araldi, o granizo atingiu aproximadamente 70% do território, provocando danos de diferentes intensidades nas áreas urbana e rural.
# Entre as ocorrências estão destelhamentos parciais e totais de moradias, danos em telhados, galpões e outras edificações, além de prejuízos em veículos, equipamentos, instalações agrícolas, lavouras e demais estruturas produtivas.
# Diante da dimensão dos danos, o prefeito Marco Antonio Sana (União) decretou situação de emergência no município, com base no parecer técnico elaborado pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil.
# O documento caracteriza o fenômeno como Tempestade Local/Convectiva – Granizo, classificado como desastre de Nível II.
# O município aguarda a homologação do decreto pelo Governo do Estado, medida que poderá possibilitar a busca de apoio complementar para o enfrentamento dos impactos e a recuperação das áreas atingidas.

Dito & Feito

Dois empreendimentos de Floriano Peixoto retornaram neste ano ao Pavilhão da Agricultura Familiar da Expointer. Conhecido por reunir histórias, diversidade e a alta qualidade de quem produz e transforma no campo, o espaço da maior feira do agronegócio e da agricultura familiar da América Latina foi, ao longo do evento, a vitrine para os produtos da Cantina Zanivan e da Cachaçaria Santo Izidoro. No registro, a visita do prefeito Jair Antônio Ostrowski (MDB), numa demonstração de reconhecimento dos dois empreendimentos locais. 

Foi notícia há 30 anos

A visita de Olívio Dutra a Getúlio Vargas e o prazo final de inscrição de telefone celular foram as manchetes de capa da edição de 06 de setembro de 1996. Na editoria de cidade, duas matérias em destaque: “Preço do pãozinho cai e provoca filas no Super Karpinski”; e “Getuliense assume vice-presidência da Associação Brasileira de Gado Charolês”. Nas páginas centrais, a cobertura da I Festimalhas, feira coordenada pela Accias e CDL de Getúlio Vargas realizada no Colégio Antônio Scussel. A programação do Desfile da Semana da Pátria, programado para o sábado (07), na Rua Prof. Francisco Stawinski, foi publicado na página oito. Na seguinte: “Getulienses reúnem-se na 8ª Comenda em Porto Alegre”. Na contracapa: “Uri de Getúlio Vargas terá curso de Pedagogia em março de 97”; e “Giacomazzi assume Sindicato das Indústrias de Produtores Suínos e ASBPS”.