Agricultura Familiar em 2026 - Entre a luta por crédito e a mudança do modelo de produção
Sindicatos da região - Getúlio Vargas, Estação, Erebango e Floriano Peixoto - alertam para o endividamento histórico e defendem o uso de bioinsumos e homeopatia para reduzir dependência de multinacionais
“A agricultura familiar, pilar da produção de alimentos na região norte do Rio Grande do Sul, inicia 2026 enfrentando um cenário complexo, que mistura desafios financeiros imediatos e a necessidade urgente de uma reforma estrutural no modo de produzir.” O comentário é de Rui Valença, coordenador do Sutraf Erebango, entidade que atua junto com a Fetraf-RS e Contraf Brasil.
Para as lideranças sindicais, a sobrevivência do setor depende de duas frentes: políticas públicas de socorro e uma nova mentalidade técnica.
O gargalo financeiro e o endividamento
Uma das principais preocupações dos agricultores recai sobre o custo dos financiamentos, em especial o Pronaf. “Mesmo sendo os maiores produtores de comida para a mesa dos brasileiros, os agricultores familiares enfrentam juros e taxas bancárias considerados altos. A situação é agravada pelo custo elevado do seguro agrícola e do Proagro”, comenta Rui Valença.
O coordenador lembra, ainda, que nos últimos cinco anos (2021-2025), uma sequência de frustrações de safra deixou um rastro de endividamento profundo. “Precisamos retomar urgentemente a questão das dívidas acumuladas. Sem políticas públicas de socorro, muitos agricultores terão extrema dificuldade em continuar na atividade”, avalia.
Valença destaca quatro fatores principais para que o agricultor familiar tenha renda: sendo que somente dois podem sofrer intervenção direta da categoria:
1. Políticas públicas: a luta por financiamentos justos e apoio estatal.
2. Custos de produção: onde reside a maior oportunidade de mudança estratégica.
Sendo que outro não são perecíveis de nossa interferência:
3. Fator climático: incontrolável, exigindo maior resiliência das propriedades.
4. Mercado: a oscilação dos preços de comercialização.
Um novo modelo de produção
Para os sindicatos, 2026 deve ser o início de uma transição que pode levar décadas, mas que é vital: a redução da dependência de insumos externos fornecidos por multinacionais. “A proposta é profissionalizar o uso de bioinsumos e a homeopatia vegetal e aprimoramento no sistema de plantio direto”, comenta Rui Valença.
“Não se trata de um trabalho amador, mas de uma transição segura e orientada por órgãos de pesquisa e universidades. Precisamos de modelos que garantam renda, e isso passa por gastar menos com insumos dolarizados e investir em técnicas como o plantio direto aperfeiçoado”, complementa.
Agenda e mobilização
Apesar dos desafios estruturais, o calendário de mobilização e celebração continua ativo,com atividades importantes, como:
• 07 de fevereiro: grande Festa do Aposentado, em parceria com a Cresol, no município de Floriano Peixoto.
• Dia do Agricultor: eventos regionais e da Federação.
“Para 2026, o sindicato não atuará apenas na organização de eventos, mas na linha de frente para repensar o modelo produtivo, garantindo que a agricultura familiar continue sendo viável, sustentável e, acima de tudo, lucrativa para quem nela trabalha”, conclui.













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