Conversa e café com a patrona e o homenageado promove troca com o público
Atividade promovida pela Academia Erechinense de Letras aproxima leitores dos representantes da 26ª Feira do Livro de Erechim
A 26ª Feira do Livro de Erechim foi aberta na quinta-feira, 1º de maio, reunindo a comunidade em um evento que celebra leitura, cultura e memória. Entre as atrações, a atividade “Conversa e café com a participação da patrona Maria Lúcia Carraro Smaniotto e do homenageado Ademar Francisco Brum”, mediada pelos jornalistas Rodrigo Finardi e José Adelar Odi, com apoio da Academia Erechinense de Letras.
O jornalista Odi iniciou o bate-papo com uma lembrança comovente ao homenageado da edição anterior, Giorgio Corradi, falecido recentemente. Odi recordou, com carinho, o momento em que Giorgio declamou um poema de sua autoria durante a abertura da feira passada. O texto, escrito à mão na noite anterior, emocionou a plateia na ocasião.
Maria Lúcia: “O jornalismo nunca me abandonou”
Patrona da feira, Maria Lúcia compartilhou sua trajetória desde os tempos de estagiária até a fundação da Copydesk Jornalismo e Marketing, em 2000. Mesmo longe dos veículos tradicionais, nunca deixou o jornalismo.
Ela contou que sua relação com o resgate histórico começou ao escrever sobre os 25 anos da Comil, quando descobriu a riqueza do Arquivo Histórico de Erechim. Seus nove livros, voltados à história de empresas e pessoas, nasceram desse envolvimento. “Nasci em um jornal, vivi o jornalismo desde cedo e sigo com ele. Nunca me abandonou, e eu também não o abandono.”
Ademar Brum e o legado cultural: “Retomar não é impossível”
Homenageado da feira, o professor Ademar Brum falou sobre sua trajetória nas artes — teatro, dança, canto coral e projetos educativos. Relembrou marcos como a peça “Venha, diga sim à vida”, sobre Francisco de Assis, e o Festival Brasileiro de Teatro Amador.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de retomar esse dinamismo cultural, Ademar foi enfático: "Temos pessoas criativas, com domínio técnico e artístico. Pena que se parou um pouco no tempo, mas retomar não é impossível."
O papel do livro em tempos digitais
Helena Confortin, membro da AEL, questionou Maria Lúcia sobre o crescente interesse das empresas em resgatar memórias e registrar suas histórias. Ela perguntou se isso se devia à vontade de preservar memórias ou às leis de incentivo.
Maria Lúcia respondeu que ambos os fatores são importantes. “As empresas estão se conscientizando da necessidade de registrar seus legados em um mundo onde as informações são rápidas e efêmeras nas mídias sociais”. Ela comentou que as leis de incentivo à cultura têm facilitado esse processo, permitindo que organizações sociais e culturais viabilizem esses registros. A patronatambém ressaltou que, com a diminuição dos jornais e da mídia impressa, o livro se torna uma ferramenta crucial para preservar a memória e garantir que as histórias não se percam.
Leitura e o exemplo dos adultos
A professora Lúcia Balvedi Pagliosa emocionou o público ao relatar a cena de uma menina pedindo livros ao pai durante a feira, reforçando que a formação de leitores começa em casa. "As crianças só vão valorizar a leitura se nós, adultos, formos exemplo", afirmou ela.
Dados preocupantes apresentados por Odi sobre a queda no número de leitores no Brasil geraram um debate importante. Maria Lúcia apontou que o estímulo à leitura deve partir da família, da escola e de políticas públicas.Programas como o Vale-Livro, distribuído pela prefeitura, e a campanha "Erechim, Cidade que Lê" foram destacados como ferramentas eficazes de incentivo à leitura pela patrona.
Sonhos coletivos: memória e leitura
Vanda Groch, professora e historiadora, perguntou aos convidados sobre seus sonhos para Erechim. Maria Lúcia respondeu: “Resgatar memórias e trazer as crianças de volta aos livros.” Ademar completou: “Que a história da cidade seja registrada e preservada.”
O professor e historiador, Enori Chiaparini, primeiro coordenador do Arquivo Histórico Municipal, também reforçou a importância do evento: "Esta é a feira mais bela que Erechim já teve. Um abraço simbólico entre a comunidade e o poder público."
Feira multicultural e acessível
O secretário de Cultura, Wallace Soares, manifestou a proposta inclusiva do evento. “Queríamos atrair também quem ainda não lê. Os corredores cheios e as sacolas com livros mostram que Erechim quer ser uma cidade leitora.”
Adriana Borella, escritora de São Francisco de Paula e vice-presidente da Academia Serrana de Letras, elogiou a organização e destacou a importância do livro físico, sobretudo para as crianças. Deixou seus cumprimentos aos organizadores e um abraço da academia que representa.
Encerramento com reflexão
No encerramento, os presentes reforçaram o papel do poder público e da comunidade na construção de uma cidade mais leitora. E, em tom de reflexão, o jornalista Odi concluiu: “Erechim é uma cidade que lê, que escreve. Que também seja uma cidade que entenda o que se escreve.”
BOM DIA













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