Polícia Civil, Ministério Público do Trabalho e Ministério do Trabalho deflagaram operação de combate ao tráfico de pessoas e ao trabalho análogo a escravidão no Norte do RS
Na segunda-feira do dia 19 de outubro de 2026, a Polícia Civil, através da equipe que integra a Operação Nacional “Protetor das Divisas”, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, realizou uma averiguação de denúncia, que indicava a existência de trabalhadores estrangeiros, que estariam sendo submetidos a práticas desumanas e ilegais de trabalho, no interior de Aratiba/RS.
Prontamente a equipe operacional deslocou até o endereço indicado, onde localizou oito trabalhadores, sendo sete estrangeiros e um brasileiro, que estavam alojados na Linha Três Barras, no interior daquele município. Os trabalhadores estavam alocados em dois imóveis improvisados, de habitação coletiva, onde conviviam homens e mulheres, sem condições mínimas de salubridade, dignidade e higiene.
Em entrevista conduzida pelos policiais civis, os trabalhadores informaram que estavam no local há cerca de uma semana. Disseram que foram cooptados em seu país de origem por “aliciadores e atravessadores”, que prometiam trabalho bem remunerado, e condições dignas de habitação, sem custos de alimentação, hospedagem e transporte, além de comunicação (internet) gratuita. Eles eram orientados a ingressar no Brasil por caminhos alternativos e não oficiais, e eram recepcionados em solo gaúcho por integrantes do grupo, ora investigado, que transportava tais cidadãos da fronteira até seu destino, no norte gaúcho, onde eram empregados na colheita de citriculturas.
Ocorre que ao chegar no alojamento, o cenário já era outro. Os trabalhadores – todos de baixa instrução e clara vulnerabilidade social – eram submetidos, de maneira informal, a jornadas de 12 horas de trabalho, sem descanso. As custas com alimentação, hospedagem e até mesmo de transporte, estavam sendo descontadas do valor acertado inicialmente com os trabalhadores. Segundo o grupo entrevistado, caso desejassem retornar para seu país de origem, os empregadores brasileiros cobrariam um valor elevado, o que inviabilizaria seu retorno para casa. Não obstante, os trabalhadores não mantinham comunicação com seus familiares, uma vez que o local onde estavam alocados não possuía internet ou sinal de telefonia.
Apesar de haver uma promessa de pagamento por “dia trabalhado”, até o momento nenhum dos trabalhadores entrevistados recebeu o salário acordado. Alguns referiram que estariam “devendo dinheiro” para os empregadores, em razão de “não terem ido trabalhar um dos dias”. Segundo eles, não havia dia de folga, e caso alguém estivesse impossibilitado de trabalhar, os dias faltados tinham que ser “pagos aos empregadores”.
O transporte dos trabalhadores do seu alojamento, até às áreas de colheita, era feito em caçamba de caminhão, e "cada quilômetro rodado, era cobrado dos trabalhadores", conforme informado. De acordo com as entrevistas, os alojamentos não possuíam camas e colchões para todos os moradores, sendo que cada residência utilizada para alocação destes trabalhadores, deveria abrigar, obrigatoriamente, até quinze pessoas, independentemente da quantidade de cômodos e da estrutura dos imóveis.
Diante do grave cenário constatado, a Polícia Civil, com apoio inicial das Assistências Sociais das Prefeituras de Erechim e Aratiba, providenciou a remoção dos trabalhadores do local onde estavam submetidos às condições degradantes, e realocação deles em um local seguro. Prontamente a rede de combate ao trabalho escravo da região foi acionada, por meio do Ministério Público do Trabalho.
Já nos dias seguintes, em 20 e 21 de outubro de 2026, a Polícia Civil, através da equipe da operação "Protetor das Divisas", em ação conjunta com o Ministério Público do Trabalho, o Ministério do Trabalho…
FONTE: POLÍCIA CIVIL RS













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