A eleição para além dos próximos quatro anos, por Neivo A T Fabris

A eleição para além dos próximos quatro anos, por Neivo A T Fabris

 

A eleição para além dos próximos quatro anos,

Costumamos repetir a obviedade de que, ao irmos às urnas nas eleições gerais, definimos os ocupantes da presidência, dos governos estaduais e do Legislativo pelos quatro anos seguintes. Trata-se de um erro de perspectiva. Nos pleitos deste domingo e no eventual segundo turno, o que está em jogo não é a simples rotatividade de governantes, mas os trilhos que o país percorrerá pelas próximas décadas. Não escolheremos entre o candidato A ou B. A verdadeira encruzilhada se dá entre uma escalada abrupta rumo ao totalitarismo colonizado e a continuidade da sobrevivência democrática. Cada eleitor e eleitora precisa ter essa clareza: o futuro nos cobrará. Seremos justamente responsabilizados pelas próximas gerações se falharmos.

II - É legítimo e compreensível que o eleitorado - militante ou não, jovem ou idoso - carregue profundas frustrações com o atual governo. De fato, muito mais poderia ter sido feito. A gestão federal esbarrou, frequentemente, em um parlamento dedicado quase exclusivamente a barganhar em causa própria. Ainda assim, avanços reais aconteceram. Não por benevolência do Congresso, mas porque a própria existência do jogo democrático permitiu negociar, constranger e tensionar os parlamentares por meio da imprensa e das redes sociais. Só há um caminho para continuar essa disputa e transformar a atual fisiologia política: assegurar que todos possam falar, que o embate ideológico continue livre e que as instituições investiguem e sejam investigadas. A garantia de pleitos limpos depende, fundamentalmente, de mantermos viva a democracia, mesmo que ela se apresente imperfeita e cheia de problemas.

III - O mesmo sentimento de frustração aplica-se ao Supremo Tribunal Federal. Há uma evidente e incômoda desconexão institucional no comportamento daquela corte, majoritariamente composta por homens brancos de meia-idade - salvando-se a postura pública da única ministra. Contudo, o pragmatismo histórico se impõe: se o país não foi atropelado pela tentativa de melar as eleições de 2022 ou pelo subsequente e bem arquitetado ensaio de golpe de Estado, foi porque o Tribunal Superior Eleitoral e o STF funcionaram como diques de contenção. Se hoje temos o direito de saber o que ocorre nos bastidores do poder, é porque a democracia ainda nos garante a exposição dos fatos.

IV - O cenário internacional adiciona gravidade absoluta a este momento. O governo Trump aprofunda a política imperialista em níveis assustadores. A ofensiva atual avança sem limites sobre a soberania e a autonomia das nações do Sul Global, tendo a América Latina como alvo prioritário. Diante de circunstâncias tão severas, a omissão ou a falsa simetria são erros fatais. Independentemente de quem vença o pleito, o paraíso não emergirá na segunda-feira subsequente. As frustrações cotidianas persistirão e o debate público continuará duro. Contudo, a continuidade democrática assegura que o essencial não seja destruído: a comida na mesa do povo, o teto sobre suas cabeças, o atendimento do SUS, o acesso a medicamentos gratuitos e as cotas sociais e raciais que garantem o mínimo de justiça na educação e no serviço público.

Curtas

# A Secretaria de Obras do município de Erebango incorporou nesta semana um caminhão Constellation com caçamba basculante no seu parque de máquinas.
# Adquirido com recurso de emenda e contrapartida do município, o veículo conta com motor potente padrão Euro 6 e será utilizado na melhoria e manutenção das estradas do interior.
#  A Prefeitura de Erechim apresentou na quarta-feira (30) o plano Humaniza Erechim ao Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural.
# O projeto traz diretrizes e propostas para preparar a cidade para o crescimento urbano de forma organizada.
# As primeiras intervenções físicas estão planejadas para começar no início de 2027, aproveitando o período de férias escolares para reduzir os impactos no trânsito.
# O deslocamento mais protegido para os pedestres e motoristas, a fluidez no trânsito, e o planejamento de longo prazo estão no centro do plano.
# A iniciativa do executivo erechinense pode e deve servir de estímulo aos gestores das demais cidades do Alto Uruguai.

 

Dito & Feito

A assessoria de comunicação da Diocese de Erexim enviou para os veículos de comunicação uma matéria com orientação da Igreja, com foco na participação consciente e no respeito às diferentes posições nas eleições. Nela, o Bispo Dom Adimir Antônio Mazzali faz uma reflexão sobre o período eleitoral, enaltecendo que a Diocese não indica candidatos nem partidos. Que sua missão é ajudar a formar a consciência cidadã, buscando sempre o bem comum e estimulando escolhas livres. Que a polarização tem atrapalhado muito a convivência, e que posições políticas diferentes não devem romper vínculos familiares, comunitários ou de amizade. E por fim, que a participação política não termina no dia da eleição, pois a cidadania requer que se acompanhe as decisões dos representantes eleitos, mantendo o diálogo e a fraternidade no dia a dia.

Foi notícia há 30 anos

A eleição municipal foi o destaque da capa da edição distribuída aos assinantes na manhã do dia 27 de setembro de 1996. Na coluna Contexto, os preparativos dos candidatos Darcy Peruzzolo e Elton Scapini, candidatos a prefeito de Getúlio Vargas, programados para a noite do mesmo dia no Centro Cultural 18 de Dezembro. “Voto eletrônico e a obrigatoriedade de candidatura de mulheres são as novidades deste pleito” foi a manchete da matéria publicada na página três.  Na editoria rural, entrevista com o engenheiro agrônomo Leonir Luiz Lodéa, da Cotrigo, que manifestou preocupação com o trigo nacional. Na página esportiva o Campeonato de Dominó e a rodada do dia 309: Vitório Laghi/Adair Zilio X Jandir Santolin/João Müller; Léo e Jairo Clein X Ricardo e Ilson Schirmbeck.