O que o passado nos diz sobre a fratura de 2026, por Neivo A T Fabris. Edição 30/10/2026

O que o passado nos diz sobre a fratura de 2026, por Neivo A T Fabris. Edição 30/10/2026

 

O que o passado nos diz sobre a fratura de 2026

 

A poeira do segundo turno da eleição presidencial de 2026 ainda nem assentou e o Brasil já se vê mergulhado em um dos capítulos mais agudos de sua crônica polarização. O país que emerge das urnas exibe uma fratura exposta, dividida milimetricamente entre visões de mundo que parecem irreconciliáveis, onde o adversário político é frequentemente pintado como um inimigo existencial. Diante de tanta turbulência e barulho nas redes e nas ruas, talvez a resposta para a nossa sobrevivência democrática não esteja no futuro promissor que ambos os lados prometem, mas no silêncio de um lugar histórico na Zona Sul do Rio de Janeiro.

II - No bairro de Botafogo, o Cemitério de São João Batista guarda uma das chaves mais fascinantes sobre a alma brasileira. Oficialmente, a necrópole é a que abriga o maior número de ex-chefes de Estado no país: são nove ou dez ex-presidentes que ali encontraram seu repouso final. Caminhar por suas alamedas é testemunhar um circuito histórico onde figuras que, em vida, se digladiaram de forma feroz, e hoje dividem o mesmo espaço físico e a mesma quietude.

III - Lá estão marechais de ferro e civis legalistas. Estão Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, os pilares de uma República nascida sob o signo do conflito. Repousam Prudente de Morais e Campos Sales, arquitetos do poder civil, ao lado de Afonso Pena, Nilo Peçanha e Washington Luís, este último deposto pela Revolução de 1930. Mais adiante, os túmulos de Eurico Gaspar Dutra e Emílio Garrastazu Médici representam períodos drasticamente distintos e traumáticos da nossa história do século XX.

IV - Essa impressionante concentração de poder pretérito se deve a uma realidade geográfica simples: o Rio de Janeiro foi a capital federal durante toda a República Velha e parte da Era Vargas, centralizando as glórias e as tragédias do comando nacional até a inauguração de Brasília em 1960. O que o São João Batista nos ensina, no entanto, vai muito além da geopolítica do passado. Ele nos ensina sobre a impermanência do rancor. Homens que lideraram revoluções, que assinaram estados de sítio, que governaram por decretos ou que foram escorraçados do Palácio do Catete pelo voto ou pelas armas, agora compartilham o mesmo mármore, a mesma poeira e o mesmo esquecimento relativo dos roteiros turísticos.

V - Os ódios políticos que um dia incendiaram o país inteiro foram sepultados com eles. Olhar para o resultado acirrado de 2026 sob a perspectiva dessas lápides não significa minimizar as urgências e as dores do presente. Significa compreender que a história do Brasil é mais longa e resiliente do que as paixões cegas de um ciclo eleitoral. A polarização atual nos consome porque nos falta a sobriedade do tempo. Se aqueles que moldaram o Brasil em meio a crises institucionais profundas hoje descansam lado a lado na Zona Sul carioca, o mínimo que se espera de nós, os vivos, é a capacidade de partilhar o mesmo país democrático sem tentar destruir quem vota diferente.

VI - No fim, a história sempre encontra uma forma de acomodar a todos, e o silêncio dos presidentes deveria nos servir de aviso: a República sobrevive às nossas fraturas, mas cobra um preço alto daqueles que esquecem que o amanhã sempre chega. Com o passar do tempo, as vozes estridentes que hoje se confrontam nas urnas e nos debates fatalmente silenciaram diante do mesmo destino inevitável. Sob a terra do mesmo cemitério, os discursos inflamados dão lugar a um repouso compartilhado, onde as ideologias perderam completamente o sentido. Assim, a morte revela que o solo que divide os vivos na superfície é exatamente o mesmo que, logo adiante, acolhe e iguala os antigos adversários na mesma poeira.

Curtas

# A operação conjunta em municípios como Aratiba e Getúlio Vargas demonstra o quanto a presença e a união do Estado são vitais.
# O resgate de imigrantes escravizados só foi possível graças a uma denúncia que desencadeou uma ação rápida da Polícia Civil, do Ministério Público do Trabalho e da fiscalização federal.
# Casos assim evidenciam que o tráfico de pessoas e as redes de aliciamento operam de forma silenciosa e estruturada no interior.
# O combate a essa chaga não pode parar; financiar e fortalecer os órgãos de fiscalização é um dever civilizatório urgente.
# Leia na sequência os bastidores da sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Getúlio Vargas realizada na noite de quarta-feira (28).
# O vereador Jorge Volmar dos Santos (MDB) quer uma solução tecnológica contra as tempestades de pedra que castigam a região.
# Ele pediu ao Executivo um estudo de viabilidade para instalar um sistema de canhão antigranizo no município, medida preventiva que promete gerar debate sobre custo-benefício.
# Ainda sob a autoria de Jorge Volmar (MDB), foi solicitada a pavimentação da Rua Leonardo Américo.
# A cobrança por calçamento no bairro XV de Novembro reflete uma demanda antiga dos moradores por mais mobilidade e o fim da poeira e do barro.
# A vereadora Suzi Teresinha dos Santos (PL) mirou na manutenção do patrimônio público e no apoio à economia local.
# Ela pediu a troca dos telhados dos berçários industriais do município por telhas de aluzinco, material mais resistente e durável para proteger as estruturas das empresas instaladas.
# A Mesa Diretora unificou o discurso em torno da segurança pública ao apresentar uma Moção de Apoio
#  A iniciativa cobra do Governo do Estado a convocação imediata dos aprovados remanescentes no concurso para Soldado do Corpo de Bombeiros Militar do RS.
# Uma pressão política necessária para reforçar o efetivo da corporação.

Dito & Feito

A chapa eleita para a Direção da Uri Erechim (quadriênio 2027/2030) agradeceu publicamente o apoio e a confiança de professores, técnicos, estudantes e comunidade externa. Formada pelos professores Paulo José Sponchiado (diretor geral), Daniela dos Santos de Oliveira (diretora acadêmica) e Aldecir José Theodoro (diretor administrativo), a nova gestão assume o compromisso com muita gratidão e responsabilidade. O grupo reafirmou as bases de seu plano de trabalho para os próximos quatro anos: uma governança pautada pela excelência acadêmica, inovação, diálogo e sustentabilidade.

Foi notícia há 30 anos

A edição do jornal que circulou no dia 25 de outubro de 1996 trouxe um panorama movimentado da política, cultura e esporte regional. Na capa, o principal destaque foi o convite para a Missa de 7º Dia da senhora Dirce T. Filipon Dalacorte, além do anúncio do grande show da dupla Zezé di Camargo e Luciano, agendado para aquela mesma noite no Estádio Colosso da Lagoa. Nas páginas internas, o periódico celebrava uma matéria especial sobre os 67 anos do jornal AVS-Erechim. Na mesma página, o caderno de cultura destacava a vinda de uma coreógrafa da Polônia para preparar um espetáculo no Centro Cultural 25 de Julho. Na política, as atenções se voltavam para uma entrevista exclusiva com Guido Comin, então prefeito eleito do município de Estação, enquanto a contracapa registrava a expectativa para a reunião regional do PPB, realizada em Getúlio Vargas. O esporte também pautou a edição, celebrando a vitória do Taguá, a Copa 5 anos da Escolinha Mini-Craque e a realização de um Torneio de Xadrez que reuniu 18 equipes. No setor comercial, os anúncios da época relembravam as ofertas clássicas do Supermercado Karpinski.