Falta de chuva acende alerta entre produtores da região de Passo Fundo
A cultura do milho é a que está gerando mais preocupação entre os produtores, de regiões que estão há 15 dias sem chuva
A irregularidade das chuvas nas últimas semanas começou a preocupar agricultores dos 42 municípios atendidos pela Emater/RS-Ascar, com sede em Passo Fundo. Embora o plantio da soja tenha avançado e já atinja cerca de 85% da área total estimada, a falta de umidade no solo começa a comprometer tanto o andamento da semeadura quanto o desenvolvimento inicial das lavouras.
A proximidade do fim do período de zoneamento agrícola para o plantio da soja, previsto para meados da primeira quinzena de dezembro, coloca pressão sobre quem ainda não conseguiu fechar a semeadura. Em muitas propriedades, o atraso na colheita do trigo empurrou o calendário, enquanto a escassez de chuva trouxe cautela na hora de entrar na lavoura.
Segundo o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, apesar de algumas precipitações pontuais registradas recentemente, os volumes foram insuficientes. "Algumas áreas já estão há 12 a 15 dias sem chuva. O produtor fica temeroso de plantar sem umidade adequada e ter problemas de germinação, sem tempo hábil para replantio", explica.
Ele destaca que a maior parte das áreas já está em desenvolvimento vegetativo inicial, fase que também exige regularidade hídrica para garantir um bom arranque das plantas. A previsão de pouca chuva no início de dezembro aumenta a preocupação.
Milho já apresenta estresse hídrico
Se a situação da soja inspira atenção, no milho o cenário é ainda mais delicado. A maior parte das lavouras está em fase de floração e espigamento, estágios em que a demanda por água é maior e em que qualquer déficit hídrico provoca impacto direto na produtividade.
Para Adami, o alerta já está ligado. "O milho está entrando na fase mais crítica. Já observamos sinais fortes de estresse hídrico, e 10 a 15 dias sem chuva neste período podem comprometer uma lavoura com alto potencial produtivo. Se a estiagem persistir, a quebra será significativa", afirma.
Em um ano considerado normal, as expectativas de produtividade no milho da região variam entre 150 e 200 sacas por hectare, podendo ultrapassar 220 sacas em áreas de alta tecnologia. No entanto, sem chuvas regulares até meados de dezembro, esse potencial deve cair de forma acentuada.
Trigo tem alta produtividade, mas preços frustram produtores
Enquanto as culturas de verão enfrentam incertezas, o trigo caminha para o encerramento da colheita com resultados expressivos. Até o fim de semana, devem ser colhidos os 15% finais da área ainda pendente na região.
Adami destaca que a safra é considerada muito boa, especialmente na região de altitude, como Capão Bonito e Lagoa Vermelha, onde o clima favoreceu a sanidade da lavoura. Produtores relataram produtividades que chegam a 90 sacas por hectare, com casos pontuais atingindo até 100 sacas.
A média regional, no entanto, deve se estabilizar em torno de 60 sacas por hectare, o que ainda representa um desempenho acima da média histórica. O indicador de qualidade dos grãos (PH) também é elevado, variando entre 82 e 84, patamar considerado excelente.
Apesar dos bons resultados no campo, os produtores estão preocupados. O preço da saca, que no início do ciclo estava próximo de R$ 70, atualmente gira em torno de R$ 55, reduzindo de forma significativa a rentabilidade. "A produtividade está alta, a qualidade é muito boa, mas o preço caiu demais. Essa diferença pesa muito no bolso do produtor", pondera o supervisor da Emater.
Expectativa é de mudança no clima
Embora alguns prognósticos indiquem possibilidade de normalização das chuvas após o dia 15 de dezembro, ainda há incertezas. Caso o retorno da umidade demore mais alguns dias, o impacto será inevitável, especialmente sobre o milho. "Se chover nos próximos quatro ou cinco dias, ameniza bastante. Mas se passarmos mais uma semana sem chuva, a redução de produtividade será certa", alerta Adami.
Para a soja, o cenário ainda pode ser revertido caso dezembro e janeiro tragam volumes mais regulares de precipitação — meses determinantes para a formação dos grãos. Já o milho, mais sensível à estiagem e com ciclo curto, depende de chuvas imediatas para evitar perdas mais profundas.
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