Manejo adequado no inverno é decisivo para manter produção de peixes
Com a chegada das temperaturas mais baixas no Rio Grande do Sul, a piscicultura entra em um período que exige atenção redobrada dos produtores. O frio impacta diretamente a saúde e o desenvolvimento dos peixes, já que esses animais não conseguem regular a própria temperatura corporal. A faixa considerada ideal para a maioria das espécies varia entre 24°C e 32°C, o que torna as quedas bruscas, típicas do outono e inverno, um fator de risco para a produtividade.
Especialistas alertam que as mudanças climáticas podem provocar redução no consumo de ração, crescimento mais lento e aumento da suscetibilidade a doenças, elevando o risco de prejuízos nas propriedades.
Nesse cenário, a Emater/RS-Ascar intensifica as ações de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) junto aos piscicultores gaúchos. O trabalho envolve orientação prática para adoção de mudanças na alimentação, monitoramento da qualidade da água e o manejo adequado dos viveiros como estratégias para atravessar o período de frio com menores perdas.
Além disso, a Instituição atua no planejamento produtivo, orientando sobre as melhores épocas para povoamento, despesca e práticas que ajudam a reduzir os impactos das baixas temperaturas. A escolha de espécies adaptadas ao clima gaúcho e o manejo adequado para indivíduos mais sensíveis também fazem parte das recomendações técnicas. Outro ponto de atenção é a qualidade da água e a prevenção de doenças, já que o inverno aumenta o estresse dos peixes e pode comprometer a imunidade.
APORTE NUTRICIONAL E TEMPERATURA
De acordo com a extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Laila Simon, o período de outono-inverno é estratégico para planejar a atividade e organizar ações importantes para a arrancada dos lotes de cultivo na primavera. "Uma das primeiras recomendações que fazemos é diminuir a densidade dos viveiros", destaca. Nesta época as temperaturas ainda não caíram abruptamente, por isso é importante fazer um ajuste no suporte alimentar dos peixes, com ração de maior densidade e aporte nutricional para reforçar a sua imunidade.
Como os peixes regulam seu metabolismo conforme a temperatura da água, é fundamental manter o controle desse ambiente, como também o pH e o oxigênio disponível fatores que impactam de forma direta o ambiente dos viveiros. "O metabolismo dos peixes desacelera diante de temperaturas mais baixas, por isso a importância de observar o seu comportamento e se eles realmente estão conseguindo se alimentar daquilo que está sendo ofertado", ressalta.
QUESTÃO SANITÁRIA E LUZ SOLAR
Outro aspecto importante é a questão sanitária, uma vez que as baixas temperaturas e a consequente baixa de imunidade dos peixes, oportuniza a incidência de infecções secundárias, causadas por fungos e bactérias presentes no sistema. Nesta época do ano ocorrem muitos dias com baixa luminosidade no Estado e, conforme Laila Simon, uma sequência de dois a quatro dias nublados pode ser determinante para a morte dos fitoplânctons, um conjunto de microalgas que dão cor esverdeada à água e são a base da cadeia alimentar nos viveiros. Eles convertem a luz solar em energia e são a fonte natural de alimento, além de produzir oxigênio, vital para os peixes e para a purificação da água.
MANEJO ADEQUADO GARANTE A PRODUÇÃO O ANO TODO
O piscicultor Cleiton Oliveira dos Santos, de Glorinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mantém um viveiro de tilápias em tanques de 2.500m², com profundidade de 1,5m, que no inverno se transforma em 2m, justamente para proteger os peixes do frio intenso. A propriedade possui ainda um frigorífico, que faz o filetagem dos peixes e prepara a produção, que é de cerca de uma tonelada por semana, para comercialização durante o ano todo.
Conforme Cleiton, a Emater/RS-Ascar faz um trabalho importante de orientação e assistência técnica aos produtores. "A orientação da Emater me ajudou muito no desenvolvimento do projeto da planta do frigorífico, no projeto dos tanques e, também tem um papel importante na nossa participação em feiras e na comercialização da produção junto ao mercado", destaca.
ESPÉCIES NATIVAS EM DESTAQUE
No Rio Grande do Sul, a piscicultura conta com diversas espécies nativas adaptadas, como jundiá, traíra, lambari, grumatã, dourado e piava. Dentre essas, o jundiá se destaca por apresentar maior tolerância ao frio, sendo considerado uma opção estratégica para a produção.
Apesar de não serem nativas, as carpas também apresentam boa tolerância às baixas temperaturas. Já a tilápia, por ser uma espécie de clima tropical, originária do Norte da África e Oriente Médio, exige maior cuidado no frio. Por isso, com a incidência de temperaturas abaixo de 16°C, deve-se suspender a alimentação dessas espécies pois o foco delas se concentra na sua sobrevivência em não na alimentação em si.
"Planejar a piscicultura durante todo o ano é fundamental para antecipar os efeitos das baixas temperaturas, com foco na sanidade dos peixes, na qualidade da água e na rentabilidade da produção. Sem esse planejamento, o inverno pode trazer perdas significativas aos produtores", conclui Laila Simom.
Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar













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