Milho amplia área semeada no RS

Milho amplia área semeada no RS
Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar

 

 

A implantação de milho no Rio Grande do Sul avançou nos últimos dias, chegando a 54% da área. As condições climáticas foram favoráveis ao incremento de área plantada, mas o frio intenso, com geada no final do período, pode ter causado danos em algumas lavouras. Para a Safra 2026/2027, estimativas da Emater/RS-Ascar apontam o plantio de 896.401 hectares de milho, produtividade projetada de 7.711 kg/ha e produção aproximada de 6,91 milhões de toneladas. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado nesta quinta-feira (10/09), a queda acentuada nas temperaturas pode atrasar o processo de germinação e emergência, bem como a uniformidade do estande das últimas lavouras de milho semeadas no Estado.

 

Na região de Ijuí, a semeadura do milho chega a 88% da área projetada para a Safra 2026/2027, que é de 112.855 hectares. A geada registrada no início da semana ocasionou queimadura nas folhas das plantas cultivadas em relevo mais baixo, causando danos variáveis, desde queimadura na parte superior das folhas até morte de plantas. Nas armadilhas para monitoramento de cigarrinha, houve maior captura de insetos nos municípios próximos a Ibirubá.

 

Na região de Santa Rosa, a semeadura do milho alcançou 87% da área prevista, de 174.288 hectares. As condições climáticas e de solos foram boas para a continuidade do plantio, restando algumas áreas baixas e mais úmidas. Como a chuva ocorrida no início da semana foi irregular na região, e em algumas localidades já é observada a redução da umidade do solo, os produtores iniciam as atividades de irrigação, principalmente em lavouras na fase de germinação e emergência, a fim de garantir o bom estande de plantas.

 

Milho silagem - Na Fronteira Oeste do RS, os produtores de Alegrete, Uruguaiana, Itacurubi e Manoel Viana estão em plena semeadura das lavouras de milho para a produção de silagem. Em Santa Margarida do Sul e São Gabriel, o plantio com essa finalidade está concentrado nas propriedades de bovinocultura leiteira. Também ocorrem plantios voltados à comercialização da silagem ensacada. Na Campanha, áreas expressivas devem ser implantadas a partir do final de outubro. Na região de Soledade, 35% dos 24.695 hectares da área prevista para milho silagem estão implantados, chegando à fase de germinação e de desenvolvimento vegetativo inicial.

 

Arroz - Na região de Bagé, há intenção de plantio de 361.027 hectares, representando redução de 6% na comparação com a safra passada. Com a abertura da janela do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) em 01/09, e devido à não ocorrência de precipitações significativas, os produtores da Fronteira Oeste iniciaram a semeadura. Em Uruguaiana, mesmo com redução estimada de 5% na comparação com a safra anterior, deve ser cultivada a maior área de arroz do Estado, com 67.625 hectares. A janela de tempo adequado, associada à expressiva capacidade operacional nas grandes propriedades do município, várias com mais de dez plantadoras simultâneas e em turnos prolongados, garante o início da semeadura com grande rendimento, alcançando em torno de 6.000 hectares de área plantada.

 

Feijão 1ª safra - Na região de Ijuí, a semeadura de feijão atingiu 35% da área projetada. No entanto, foi observado enrugamento e queima de folhas devido ao frio e às geadas. O preço é de R$ 195,00/sc. de 60 kg. Na de Pelotas, alguns produtores que possuem áreas mais altas e protegidas do frio intenso e extemporâneo iniciaram os preparativos do solo e aquisição de sementes, de fertilizantes e demais insumos para o plantio. A semeadura deverá iniciar quando a umidade estiver favorável ao trabalho, estendendo-se até outubro. Já na região de Soledade, no Baixo Vale do Rio Pardo, a semeadura para autoconsumo está sendo finalizada, assim como para fins comerciais, com área pouco expressiva. Na região Centro-Serra e Alto da Serra do Botucaraí, as áreas estão prontas; algumas já foram semeadas com fins comerciais. O preço está em R$ 150,00/sc.

 

SAFRA DE INVERNO

Trigo - As lavouras de trigo se encontram em floração (39%) e em enchimento de grãos (33%). Apenas 2% das áreas estão em maturação. A boa disponibilidade de radiação solar e as temperaturas mais amenas permitiram a realização de adubação nitrogenada e de tratamentos fitossanitários, principalmente para controle de doenças fúngicas. As geadas no final do período podem ter causado algum dano às lavouras em período reprodutivo, que ainda será avaliado. Já nas áreas em desenvolvimento vegetativo, como nos Campos de Cima da Serra, não há perspectiva de danos. De maneira geral, o potencial produtivo continua satisfatório. A área projetada para Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média, de 2.701 kg/ha.

 

Canola - A canola evolui para as fases reprodutivas e de maturação, em especial no Noroeste do Estado, onde algumas lavouras foram colhidas. As temperaturas mais altas e a radiação solar direta foram favoráveis aos cultivos, que continuam com bom potencial produtivo. No entanto, as geadas ocorridas no final do período podem ter causado danos, a serem avaliados, nas lavouras em floração. A área cultivada de canola está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média, em 1.619 kg/ha.

 

Carinata - As lavouras estão em fase de reprodução, predominando a formação de síliquas e o enchimento de grãos. A melhoria das condições de luminosidade favoreceu a evolução do ciclo, mantendo a cultura dentro do padrão esperado. O quadro fitossanitário está estável, e há incidência pontual de pragas e doenças. Na região de Ijuí, estão 20% dos cultivos em floração e 80% em granação. Na de Santa Rosa, a maior parte das áreas de carinata está na fase reprodutiva, em enchimento de grãos. O tempo firme e a boa radiação solar têm favorecido a evolução da cultura e contribuído para o adequado enchimento dos grãos.

 

Cevada – Com área de cultivo estimada em 20.320 hectares no Estado, e produtividade média de 3.020 kg/ha, a cultura apresenta desenvolvimento satisfatório. Na região de Ijuí, 17% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 54% em floração e 29% em enchimento de grãos. Na de Erechim, 30% dos cultivos estão em estado vegetativo e 70% em início da floração. Os produtores realizam tratamentos fitossanitários. Na região de Soledade, o estado geral dos cultivos continua satisfatório, com 20% dos cultivos em elongação do colmo, 50% em espigamento e 30% em enchimento de grãos.

 

Aveia-branca - As lavouras apresentam evolução satisfatória entre as regiões, com 10% da área total em desenvolvimento vegetativo, 32% em floração, 46% em enchimento de grãos, 11% em maturação e 1% colhida. De modo geral, as plantas se desenvolvem bem, e as condições sanitárias estão favoráveis, devido ao tempo mais seco e ensolarado, que reduziu a pressão de ferrugem da folha em algumas regiões. O manejo fitossanitário ocorre de forma pontual, concentrado nas lavouras com maior interesse comercial. A estimativa de plantio é de 387.697 hectares, e a produtividade média estadual está projetada em 2.322 kg/ha.

 

OLERÍCOLAS E FRUTÍCOLAS

Cebola - Na região de Pelotas, foi finalizado o transplantio de mudas de cebola. Em Rio Grande e Tavares, a operação se encontra concluída. Em São José do Norte, estima-se que 70% da área tenha sido transplantada. Estão 25% das lavouras em fase de bulbificação, com 5% das mudas a serem transplantadas aos canteiros definitivos. Em decorrência das condições meteorológicas adversas, algumas lavouras apresentam atraso no desenvolvimento, exigindo remontagem de canteiros e tratos culturais adicionais. Nesses três municípios, principais produtores de cebola na região, o Sistema de Plantio Direto (SPDH) começa a se expandir, com destaque para São José do Norte, onde já ocupa 40 hectares.

 

Pimentão verde - Na região de Lajeado, em Bom Princípio, a cultura do pimentão retomou o desenvolvimento e a produção, devido à elevação das temperaturas, o que favorece a emissão de flores e a formação de novos frutos. Nos cultivos protegidos, ainda há necessidade de garantir adequada ventilação e monitorar a ocorrência de doenças.

 

Morango - Na região de Caxias do Sul, a cultura de morango apresenta volumes de colheita reduzidos, embora haja boa carga de frutos não maduros. Em relação ao aspecto fitossanitário, os produtores ainda enfrentam prejuízos pontuais, com a incidência de podridões de frutos, mesmo com medidas de controle adotadas. Na região de Erechim, a cultura de morango da cultivar San Andreas, que predomina na região, recupera-se com a ocorrência de dias ensolarados, registrando floração abundante. Ainda há necessidade de manejo fitossanitário contínuo para o controle de tripes, ácaros e mosca-das-frutas.

 

Uva - Na região de Erechim, a poda e a amarração foram concluídas, e as videiras iniciam a brotação. Realizam-se os primeiros tratamentos fitossanitários, visando ao controle de antracnose. Na região de Pelotas, a cultura se encontra no início da fase de brotação e, na região de Soledade, a poda foi concluída. No Baixo Vale do Rio Pardo, inicia-se a brotação, mas as baixas temperaturas, registradas no período, podem atrasar o crescimento vegetativo, assim como na Serra do Botucaraí.

 

CRIAÇÕES

BOVINOCULTURA DE LEITE - Em alguns locais, o excesso de umidade e o acúmulo de barro próximo às áreas de manejo têm comprometido os corredores de acesso, as áreas de cochos, os bebedouros e as instalações, dificultando pesagens, vacinações e apartações, e aumentando o risco de acidentes com animais e operadores. No entanto, devido à redução das chuvas e à estabilização das condições meteorológicas em parte do Estado, observa-se melhora gradativa nas condições de manejo e na oferta de pastagens, com reflexos positivos sobre a produção e a alimentação dos rebanhos. Nas regiões de Santa Maria e Santa Rosa, as chuvas moderadas mantiveram o solo firme, reduzindo o estresse causado pelo excesso de lama e favorecendo o consumo das pastagens de inverno, principalmente azevém e trigo. Com a maior oferta de pasto, houve diminuição no uso de alimentos conservados e concentrados, mantendo-se apropriado o desempenho produtivo. As condições sanitárias também estão favoráveis, com baixos índices de mastite e rotina de ordenha eficiente.

 

OVINOCULTURA - Na região de Bagé, os menores volumes de chuva contribuíram para a drenagem dos potreiros e para a redução dos problemas de casco. O tempo firme permitiu o início da esquila em Lavras do Sul. Em São Gabriel, foram observados casos mais intensos de verminose em ovelhas recém-paridas e em borregos do ano anterior. As parições alcançaram 95% do previsto. Em Dom Pedrito, o período de parições se aproxima do fim, e os cordeiros apresentam desenvolvimento satisfatório, apesar das perdas nas últimas semanas de agosto, devido à ocorrência de chuva, às baixas temperaturas e aos ventos fortes.

 

PESCA ARTESANAL - Na região de Pelotas, o período de defeso segue até o dia 30/09 na Lagoa dos Patos. Na localidade de Santa Isabel, em Arroio Grande, a atividade pesqueira apresentou condições favoráveis no período, com boas capturas. Na região de Santa Rosa, em razão da diminuição do nível das águas, os pescadores relatam o retorno gradual das condições de pesca, principalmente a partir do último final de semana (06/09), quando foram obtidas mais capturas.

 

 

 

 

Texto: Ascom Emater/RS-Ascar