Milho tem plantio acelerado no Rio Grande do Sul
A semeadura do milho avançou no Rio Grande do Sul, favorecida por condições térmicas mais adequadas e pela melhoria da friabilidade dos solos, alcançando aproximados 68% da área projetada para esta Safra de Grãos de Verão 2026/2027, que é de 896.401 hectares. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (24/09), nas áreas implantadas com milho predominam as fases de germinação, emergência e desenvolvimento vegetativo inicial, com evolução mais rápida após a elevação das temperaturas.
Na região de Bagé, em São Gabriel, o plantio do milho iniciou em áreas de agricultura familiar, acompanhando a melhoria das condições térmicas e da umidade do solo. Em Uruguaiana, a implantação das lavouras destinadas à produção de grãos está concluída, com predominância de áreas irrigadas por sulco-camalhão e pivô central. Em Manoel Viana, o plantio está praticamente concluído, e o crescimento das primeiras lavouras está lento, devido às baixas temperaturas das últimas semanas.
Na região de Santa Rosa, 86% da área está semeada, e as lavouras, em desenvolvimento vegetativo. As temperaturas amenas e a manutenção da umidade do solo favoreceram o crescimento. Há presença de cigarrinhas na maior parte das áreas, além de percevejo-barriga-verde e lagarta-rosca. Nas lavouras mais adiantadas, foram iniciadas as aplicações de nitrogênio em cobertura.
Milho silagem - O plantio de milho para silagem ocorre de forma escalonada, chegando a 45% da área prevista. As temperaturas amenas e a friabilidade dos solos favoreceram as operações. Na região de Erechim, a área prevista com milho silagem aumentou cerca de 5% em relação ao ano anterior, e a produtividade está estimada em 43.768 kg/ha. Já no Estado, a Emater/RS-Ascar estima o plantio de 369.389 hectares e produtividade de 38.392 kg/ha.
Arroz - O estabelecimento da safra está iniciando, com maior avanço da semeadura nas áreas da Fronteira Oeste. A ocorrência de chuvas volumosas vem condicionando o ritmo de implantação, exigindo drenagem de áreas para permitir a continuidade das operações e evitar dificuldades no estabelecimento das lavouras já semeadas. Na Região Sul, os níveis de reservação de água dos mananciais e barragens foram recompostos pelas precipitações ocorridas durante agosto. A área projetada pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga) para Safra 2026/2027 alcança 861.779 hectares, e a produtividade inicial estimada pela Emater/RS-Ascar é de 8.741 kg/ha.
Feijão 1ª safra - A implantação da 1ª safra inicia, em menos de 10% da área projetada de 24.587 hectares no Estado, está concentrada em locais de menor exposição às geadas e aos ventos frios, condições ambientais limitantes ao desenvolvimento inicial, e as plantas apresentam crescimento reduzido. Nas regiões de maior altitude, parte das áreas está preparada ou em início de semeadura. Já nas áreas de menor altitude, o cultivo destinado à subsistência familiar se encontra bastante adiantado. A produtividade inicial está estimada em 1.759 kg/ha.
Na região de Ijuí, a semeadura do feijão 1ª safra destinada ao autoconsumo está próxima da conclusão, alcançando 45% da área projetada. As plantas apresentam folhas pequenas e alongadas, em resposta às condições de baixas temperaturas. Na região de Pelotas, são implantadas as primeiras lavouras em áreas protegidas e sem risco de geadas, especialmente em Pelotas e São Lourenço do Sul. Já na região de Soledade, no Baixo Vale do Rio Pardo, a semeadura para subsistência familiar está concluída, e o cultivo comercial segue pouco expressivo. No Centro-Serra e Alto da Serra do Botucaraí, nas áreas de maior altitude, os solos estão preparados, e algumas lavouras foram implantadas para fins comerciais.
CULTURAS DE INVERNO
Trigo – Predominam no Estado as lavouras de trigo nas fases reprodutivas: 9% em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração, 54% em enchimento de grãos e 13% em maturação. A colheita está restrita às áreas mais adiantadas no Noroeste e alcança 1%. Em relação ao quadro fitossanitário, nas áreas de trigo em florescimento e em enchimento de grãos, a elevada umidade aumentou a pressão de doenças, como giberela e doenças foliares, demandando aplicações de fungicidas. A área projetada para a Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média, de 2.701 kg/ha.
Aveia-branca - As lavouras de aveia-branca estão em estágios reprodutivos avançados: 51% em enchimento de grãos e 26% em maturação. A floração abrange 11% da área, e 5% estão em desenvolvimento vegetativo. Os 7% restantes correspondem a áreas colhidas. De modo geral, as condições das lavouras estão satisfatórias, com bom padrão de desenvolvimento, embora haja variações entre as regiões quanto ao potencial produtivo e às condições fitossanitárias. As chuvas intensas provocaram acamamento pontual em algumas áreas, e a incidência de doenças fúngicas está variável entre as lavouras. A estimativa de plantio é de 387.697 hectares, e a produtividade média estadual está projetada em 2.322 kg/ha.
Canola - A cultura da canola apresenta ciclo mais avançado em relação aos demais cultivos de inverno. Estão 5% dos cultivos em floração, 63% em enchimento de grãos, 29% em maturação e 3% colhidos. O desempenho produtivo entre as diferentes regiões está heterogêneo: há significativo número de lavouras com bom potencial, e áreas de estande reduzido, ou afetadas por excesso de umidade, baixa radiação solar e geadas, com possibilidade de redução do rendimento. Os produtores seguem preocupados com a possibilidade de deiscência natural das síliquas em áreas sujeitas à recorrência de chuvas, especialmente nas lavouras mais adiantadas. A área cultivada de canola está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha.
Carinata - A evolução do ciclo é relativamente uniforme nas principais áreas produtoras, e predominam lavouras nas fases reprodutivas: 7% em floração e 77% em enchimento de grãos. Uma parcela de 15% está em maturação, e a colheita ainda é incipiente. Em regiões de maior umidade e menor disponibilidade de radiação solar, foram observados impactos no desenvolvimento das plantas. Nas demais áreas, a evolução está satisfatória, com manutenção do potencial produtivo e avanço da formação e expansão das síliquas, inclusive nas porções superiores das plantas. A área estimada de plantio é de 2.365 hectares no RS.
Cevada – As lavouras de cevada no RS estão 27% em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração, 43% em enchimento de grãos e 7% em maturação. A evolução da cultura está satisfatória, permitindo avanço do ciclo. As áreas mais adiantadas ingressam na fase de maturação. A área de cultivo estimada é de 20.320 hectares no Estado, e a produtividade média de 3.020 kg/ha. Na região de Ijuí, estão 33% das lavouras em floração, 39% em granação e 29% em maturação. Apesar da cultura apresentar desenvolvimento adequado, houve aumento de doenças foliares nas folhas inferiores. Na região de Soledade, o estado geral das lavouras de cevada também está satisfatório, com 20% dos cultivos em espigamento e 80% em enchimento de grãos.
OLERÍCOLAS
Alho - Na região de Caxias do Sul, o desenvolvimento das plantas está satisfatório e muitas lavouras se encontram no estádio de diferenciação. Os produtores estão apreensivos em função das precipitações constantes e das sucessivas variações de temperatura, fatores que podem induzir ao perfilhamento, sendo necessário aguardar a evolução da bulbificação. Na região de Passo Fundo, embora atrasado pelas precipitações, o plantio foi concluído. A área cultivada está projetada em 9 hectares, com expectativa de produtividade de 12 t/ha.
Chuchu - Na região de Lajeado, em Alto Feliz, a cultura se encontra em floração, frutificação e colheita. As baixas temperaturas e excesso de umidade dificultaram o desenvolvimento vegetativo e a frutificação, aumentando a incidência de doenças fúngicas, que exigem monitoramento. A ocorrência de ventos fortes provocou a abscisão de frutos. A comercialização está lenta.
Moranga Cabotiá – Ainda na região de Lajeado, em Cruzeiro do Sul, iniciaram-se os plantios para o próximo ciclo e, nas áreas mais precoces, as plantas se encontram em ramificação e emissão das primeiras flores. O excesso de umidade, as precipitações frequentes e as baixas temperaturas dificultaram o preparo do solo, atrasando o cronograma de implantação das lavouras.
PASTAGENS E CRIAÇÕES
Nativas - Na região de Caxias do Sul, em propriedades que utilizam o diferimento de pastagens, o campo nativo apresenta bom volume de forragem, possibilitando o pastejo dos animais, associado ao fornecimento de sal proteinado em cochos cobertos, o que tem proporcionado desenvolvimento satisfatório dos rebanhos. Na região de Santa Rosa, foram observadas florações de maria-mole em áreas de campo nativo, indicando condições de sobrepastejo e sinalizando a possibilidade de manutenção da baixa oferta de forragem nas próximas semanas.
Cultivadas - Na região de Erechim, o solo continua encharcado, dificultando o acesso às pastagens e aos silos, aumentando o risco de pisoteio e compactação. Da mesma forma, a alta umidade prejudicou a fenação e, consequentemente, dificultou a secagem e a qualidade do feno. Na região de Frederico Westphalen, as chuvas e o frio voltaram a limitar o desenvolvimento das pastagens cultivadas. Alguns produtores iniciaram a implantação de capim-sudão para pastejo e de milho para silagem. Na de Passo Fundo, por causa da alta umidade no solo, e com o objetivo de preservar a alimentação dos animais, algumas propriedades diminuíram o tempo de permanência nos piquetes e aumentaram a oferta de silagem. As áreas de aveia, já em estágio mais avançado do ciclo, apresentam maior fibrosidade, e as de azevém se destacam pelo desenvolvimento e pela capacidade de manter boa oferta de alimento.
OVINOCULTURA - Os produtores realizaram o monitoramento de partos e a avaliação dos cordeiros para evitar mortalidade de animais. A condição corporal dos rebanhos está adequada. Continuam os trabalhos de monitoramento sanitário com foco no controle de verminoses, na imunização contra clostridioses com vacinas polivalentes para garantir proteção ampliada e os cuidados com problemas de casco. Iniciou-se a esquila em algumas regiões.
Na região de Erechim, a formação de barro pelas chuvas aumentou o risco de problemas podais, especialmente pododermatite (footrot). O frio do início do período, somado à lã encharcada pela chuva, elevou o risco de doenças respiratórias. Iniciam os partos na maioria das propriedades. Os rebanhos mantidos em instalações cobertas apresentam melhores condições sanitárias. Começou o período de esquila em parte das propriedades. Na região de Santa Maria, os animais apresentam boas condições de escore corporal. A suplementação energética das matrizes no período pós-parto contribuiu para a melhoria do estado nutricional, refletindo em maior produção de colostro e leite e em melhores índices de sobrevivência e desenvolvimento dos cordeiros. Outro manejo é a disponibilização de creep feeding aos cordeiros com idade a partir dos 30 dias, favorecendo o crescimento, o ganho de peso e a adaptação alimentar. É fase final de parição.
Texto: Ascom Emater/RS-Ascar













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