Mural sobre o mico-leão-preto homenageia a espécie e presenteia a comunidade no município onde vive mais de 65 por cento da população desse primata

Mural sobre o mico-leão-preto homenageia a espécie e presenteia a comunidade no município onde vive mais de 65 por cento da população desse primata
Fernando Berg pintando o mural que homenageia o mico-leao-preto em Teodoro Sampaio/SP Crédito: Vinícius/Alves/IPÊ

Um mural de grandes dimensões, com 15 metros de largura e 10 metros de altura, assinado pelo muralista Fernando Berg traz o mico-leão-preto, espécie símbolo do estado de São Paulo, para a Praça central de Teodoro Sampaio, no oeste paulista. Fernando está desenvolvendo o mural, desde o dia 18 de fevereiro (Quarta-feira de Cinzas), a convite do Programa de Conservação do Mico-leão-preto, iniciativa que deu origem ao IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas. A inauguração oficial da obra está marcada para 28 de fevereiro, o Dia Nacional do Mico-leão-preto, data reconhecida desde 2018 via Portaria nº 4, do Ministério do Meio Ambiente.  

 

“É sempre uma satisfação imensa, eu já tinha pintado o mico-leão-preto há quatro anos no projeto do também artivista Mundano com as cinzas da Mata Atlântica. Quando a Gabriela (coordenadora do Programa de Conservação do Mico-leão-preto) me convidou para pintar esse mural fiquei muito empolgado, porque esse é um bichinho muito importante, que existe apenas no estado de São Paulo, estou muito feliz em somar e participar com um animal tão divino”, revela com entusiasmo Fernando Berg.

 

Gabriela Rezende, coordenadora do mais longevo Programa do IPÊ, conta que o mural está repleto de significados. “Essa é uma homenagem à espécie e também um presente para os moradores do município que desde o início, há mais de 40 anos, abraçaram o Programa”. O local escolhido para receber a arte de Berg também reforça esse reconhecimento da população: a parede lateral do prédio da prefeitura.

 

“As pessoas interagem bastante e todas conhecem o Programa do Mico-leão-preto. Elas também estão criando uma expectativa com os preenchimentos que já fiz. Tem sido uma troca muito boa, estou aprendendo muito também, tem gente que passa todo dia aqui. Como pintei no mural o Morro do Diabo, tem gente comentando que mora aqui há 62 anos e nunca foi até lá, e agora está curioso e vai”, completa o muralista da biodiversidade brasileira.

 

A estimativa mais recente considera que 1.800 micos-leões-pretos vivem na natureza, distribuídos em cerca de 20 localidades no estado de São Paulo (entre o Rio Tietê e o Rio Paranapanema), sendo que cerca de 65% deles vivem no Parque Estadual Morro do Diabo (Fundação Florestal), em Teodoro Sampaio, no oeste paulista

Arte a favor da biodiversidade

 

Com tinta acrílica à base de água, spray e pincéis, Berg é reconhecido por pintar animais nativos do Brasil e, com sua arte, chamar atenção para a importância da conservação da biodiversidade brasileira. Uma marca registrada de sua arte está relacionada à valorização da sabedoria da natureza. Nas obras de Berg, os animais são reverenciados, muitos ganham elementos de divindade. Aqui Fernando Berg compartilha um pouco da ideia original desse mural.

 

“Na composição, há um mico-leão-preto com o filhote, o adulto está com a patinha levantada na direção da cabeça do mais novo, a ideia é de uma benção (algo ainda muito comum no interior), um gesto de cuidado. Em toda pintura que faço, gosto de colocar o personagem principal, o mais vulnerável geralmente, olhando para o espectador, no caso o filhote de mico-leão-preto, porque ele é o futuro. A ideia é reforçar que é preciso cuidar para ele poder crescer. As duas araras vermelhas estão reverenciando os micos. Já o mico-leão-preto do outro lado do mural convive em harmonia com dois pássaros, um deles está olhando para frente enquanto o outro para cima, para o gambá, a lua. Os pássaros são guias, protetores, o mico está observando e essas aves somam com ele, trocam informação, se protegem”.

Mural em homenagem ao mico-leão-preto será inaugurado no próximo sábado 28 de fevereiro, Dia do Mico-leão-preto

Gambá de orelha branca, araçari-castanho, perereca arborícola, udu de coroa azul, além das borboletas morfho, também já estão presentes no mural. “Sobre o araçari, pintei olhando para um que estava aqui na Praça hoje. No livro, ele parecia um pouco mais claro, mas como ele estava aqui na cidade, intensifiquei as cores. Há um animal que também estará no mural, mas que até o momento é uma surpresa”, comenta Berg. 

Semana do Mico-leão-preto 

 

O mural está entre as novidades da Semana do Mico-leão-preto de 2026, realizada de 22 de fevereiro a 01 de março no município, com atividades para todos os públicos. De 24 a 27 de fevereiro, a equipe do Programa do IPÊ realizará ações na mesma praça onde Berg está trabalhando. Dessa forma, a expectativa é que a população já se aproxime desse presente que é para todos. 

No Espaço IPÊna Praça, será possível conversar com integrante da equipe do Programa de Conservação ou ainda com o Tião.

Praça Antônio Evangelista da Silva, 1.544

 

24/02 Terça-feira 09:00 – 11:00

25/02 Quarta-feira 14:00 – 17:00

26/02 Quinta-feira 09:00 – 11:00

27/02 Sexta-feira 14:00 – 17:00

28/02 Sábado 09:30 Inauguração oficial do mural

 

Artivista pela biodiversidade brasileira 

 

Com o mural em Teodoro Sampaio, Berg já assina a criação de uma série de murais de três espécies-chave para o IPÊ. Além desse mural em desenvolvimento que será inaugurado no próximo domingo 28, Berg já assinou murais dos projetos Canastras e Colmeias, em Brasilândia, Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, municípios do Mato Grosso do Sul, além do mural da anta-brasileira, em São Paulo, e de uma tela para a exposição Antas Pintoras.  

Mural em homenagem ao mico-leão-preto será inaugurado no próximo sábado 28 de fevereiro, Dia do Mico-leão-preto

Mural pintado por Berg na cidade de São Paulo

 

Mico-leão-preto: mais de 40 anos de pesquisa aliada à conservação 

 

Por cerca de 70 anos, o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) chegou a ser considerado extinto. Em 1970, a espécie foi redescoberta na região do Pontal do Paranapanema. Em 2003, entrou na lista de espécies ameaçadas de extinção da IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza, como Criticamente Ameaçada e em 2008, após 24 anos de ações voltadas à sua conservação, passou para Em Perigo. Em 2024, o Programa de Conservação do Mico-leão-preto completou 40 anos de atividades em prol da espécie e da Mata Atlântica paulista. 

Mico-leão-preto, espécie símbolo da conservação no estado de São Paulo

Crédito: Katie Garrett