Especial - Os primórdios do cooperativismo no Alto Uruguai

Especial - Os primórdios do cooperativismo no Alto Uruguai

 

História - Os primórdios do cooperativismo no Alto Uruguai

 

A atividade primária e o extrativismo são considerados a base da colonização no norte do RS. Os núcleos urbanos do município de Erechim, criado em 30 de abril de 1918 se desenvolveram junto às Estações da Estrada de Ferro – Sertão, Estação Erechim, Erebango, Capo-Erê, Boa Vista do Erechim, Barro, Viadutos e Marcelino Ramos -, juntamente com Erechim, atual cidade de Getúlio Vargas, concentravam o comércio e serviços.

Até o final da 2ª Guerra Mundial (1945) haviam três municípios ao norte de Passo Fundo – José Bonifácio (1918), Getúlio Vargas (1934) e Marcelino Ramos (1944). De acordo com o Anuário Estatístico de 1942, José Bonifácio, posteriormente rebatizado de Erechim, estava entre os cinco maiores municípios do RS. Com a população dos outros dois municípios se aproximava dos 200 mil habitantes.

Juntos, José Bonifácio, Getúlio Vargas e Marcelino Ramos se posicionavam como o maior produtor de suínos do RS, bem à frente de outras regiões como Passo Fundo, Cruz Alta, Ijuí e Santo Ângelo. A ferrovia Santa Maria – São Paulo transportava a produção de banha da região, juntamente com a madeira e diversos produtos coloniais. O Sindicato da Banha, criado em 1928, agregava os grandes produtores, dentre os quais Carlos Henrique Oderich, Piero Sassi e Frederico Mentz. As pequenas refinadoras de banha foram convidadas a aderir ao sindicato, que de imediato buscou melhores preços.
Nos anos de 1920 havia abatedouros de suínos em Barro, Boa Vista do Erechim, Estação Erechim, Erechim e Viadutos. A década seguinte foi pródiga para a atividade, tendo sido fundadas a Sociedade de Produtores Suína Barrense Ltda e a Cooperativa de Produção de Banha Santa Isabel Ltda, ambas em Barro (Gaurama). Em março de 1935, mesmo mês da instalação do município de Getúlio Vargas, foi fundada na Estação Getúlio Vargas a Cooperativa de Produção de Banha Santana Ltda. As iniciativas buscavam melhores resultados econômicos dos produtores, descontentes com os preços baixos praticados pelos representantes locais de empresas da capital e de São Paulo.
O suporte da Delegação Técnica da Diretoria de Organização e Defesa da Produção do Ministério da Agricultura no RS foi determinante para a consolidação do cooperativismo. No ano de 1938, com a parceria da Secretaria de Estado da Agricultura, Indústria e Comércio, foi promovido o 1º Congresso Cooperativista. Representantes e delegados de cooperativas de todo o Estado participaram do evento realizado nos dias 08 e 11 de dezembro, em Porto Alegre. No congresso, dirigentes e delegados de mais de 70 entidades cooperativas trataram de temas de interesse comum. O RS contava com o maior número de cooperativas do Brasil, em torno de três centenas, a maioria agrícolas. As maiores com cerca de 5.000 associados e as menores com 45 associados.
Além das cooperativas agrícolas haviam no Estado as ligadas a banha, vinícola, caixa rural, produtos suínos, álcool e cachaça, carnes, lacticínios, consumo, trigo, madeira e produção agropecuária. Representantes de oito cooperativas da região - Barro, Marcelino Ramos, Sananduva, Getúlio Vargas, Estação Getúlio Vargas e Capo-Erê - participaram do Congresso e assinaram a ata do evento.
O cooperativismo deu um salto na década de 1950. A cultura do trigo se alastrou no Norte do RS com a modernização das máquinas e equipamentos, adentrando na produção industrial, e deste modo alargando as bases da agricultura. No Alto Uruguai foram fundadas a Cooperativa Tritícola de Getúlio Vargas Ltda e a Cooperativa Tritícola Erechim Ltda, respectivamente nos dias 04 de agosto e 25 de setembro de 1957.
A Cotrigo e a Cotrel se consolidam na segunda metade do século XX, dinamizando a economia nas suas áreas de atuação. Ao lado de outras, distribuídas nas regiões de Passo Fundo, Cruz Alta e Ijuí, formam a gênese do chamado cooperativismo agroindustrial ou empresarial. Na década seguinte o setor passou por um processo de integração, tanto na produção de insumos quanto na industrialização de alimentos, com uma forte participação na economia.
O mesmo fenômeno ocorre em SC e PR, bem como no sudeste. Em duas décadas o número de agricultores associados em cooperativas nessas regiões mais que quintuplicou, e no início da década de 1980 ultrapassou os 1,2 milhões. Na sequência vieram as Cooperativas de Crédito, consolidadas na virada do século XX para o XXI.