Excesso de chuva preocupa produtores de trigo

Excesso de chuva preocupa produtores de trigo
Até o momento a expectativa de produtividade é muito positiva - Foto: Marcela Buzatto/Arquivo ON

Até o momento as lavouras de trigo são consideradas boas, mas os produtores torcem para que a chuva pare o mais breve possível para não comprometer a qualidade do grão

Com os olhos voltados para o céu, os produtores da região de Passo Fundo seguem atentos ao desenvolvimento das lavouras de inverno. De um lado, há otimismo quanto ao potencial produtivo do trigo; de outro, cresce a apreensão com os efeitos do excesso de chuvas na reta final do ciclo. O equilíbrio entre a necessidade de umidade e o risco que ela representa é, neste momento, o principal ponto de atenção no campo.

Na área de abrangência da unidade regional da Emater, que contempla 42 municípios com sede em Passo Fundo, foram cultivados 108 mil hectares de trigo neste ano. O número reforça a importância da cultura para a economia agrícola regional e renova a expectativa de uma colheita significativa. Segundo o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, até agora a produtividade se mostra promissora, com possibilidade de superar a média histórica de 55 sacas por hectare. “O trigo está até o momento com potencial produtivo bem elevado. Se continuarmos nessas condições, há chance de alcançar uma produtividade superior à média, o que é muito positivo. Mas o que preocupa é a sequência de dias de chuva intensa, que favorece a entrada de doenças fúngicas, especialmente a giberela, bastante prejudicial nessa fase da cultura”, explica Adami.

Risco de doenças preocupa

A preocupação é pertinente, pois o trigo está justamente no período de espigamento, floração e, em algumas áreas mais adiantadas, enchimento de grãos. A umidade contínua nesse estágio aumenta a vulnerabilidade das plantas. “Quando temos uma semana inteira de chuva, como vem acontecendo, o risco cresce bastante. Além das doenças, há ainda o perigo do acamamento da lavoura, causado pelo peso da água e pelo vento, o que pode comprometer a qualidade do grão”, complementa o supervisor da Emater.

Para minimizar os riscos, muitos agricultores já investiram em aplicações preventivas de fungicidas. Essa medida, segundo Adami, é fundamental diante do elevado potencial de produtividade das lavouras. “Vale a pena investir em tratamento preventivo, porque o cenário é promissor. Mas torcemos para que logo tenhamos alguns dias de sol, já que a chuva é importante, mas precisa vir de forma equilibrada, e não excessiva”, reforça.

A expectativa é de que a colheita do trigo na região tenha início na primeira quinzena de novembro. Até lá, o clima continuará sendo o fator decisivo para determinar se a safra será recorde ou se enfrentará obstáculos pelo caminho.

Canola em expansão

Enquanto o trigo desperta atenção pelo risco de doenças, outra cultura de inverno já vem rendendo bons frutos: a canola. O cultivo, que vem crescendo ano após ano, iniciou a colheita em municípios como Maximiliano de Almeida e Paim Filho, com resultados acima da média.

As primeiras áreas colhidas têm apresentado produtividade entre 30 e 35 sacas por hectare, desempenho considerado bastante satisfatório. Além disso, o preço de mercado se mostra atrativo, ficando próximo ao valor pago pela soja, o que amplia o interesse dos produtores pela cultura. “A colheita já começou em algumas regiões e os resultados são muito bons. Em termos de preço, a canola está praticamente equiparada à soja, o que torna o investimento muito interessante. Em algumas localidades, já existe até compra casada, onde a mesma empresa fornece os insumos e garante a aquisição da produção, o que dá segurança ao produtor”, destaca Adami.

A expectativa é que, em nível estadual, a colheita da canola seja concluída até a metade de outubro. A sensibilidade da planta ao excesso de umidade, no entanto, mantém os agricultores atentos. “A canola também sente bastante essas condições climáticas. Felizmente, a maioria das lavouras deve estar colhida dentro de 15 dias, o que reduz os riscos”, observa o supervisor.

Diversificação como estratégia

Embora a área cultivada com canola ainda seja menor quando comparada ao trigo, os resultados desta safra podem influenciar diretamente na tomada de decisão dos produtores para o próximo ano. A boa produtividade, aliada à valorização no mercado, cria um cenário favorável à expansão da cultura.

Para Adami, a diversificação é um ponto estratégico para a agricultura regional. “A canola é uma alternativa muito interessante, porque permite a rotação de culturas. Isso ajuda a reduzir problemas fitossanitários e dá mais opções ao agricultor, que não fica dependente apenas das gramíneas. Esse resultado positivo pode estimular um aumento da área plantada no futuro”, afirma.

Por isso, os próximos dias serão decisivos para consolidar as perspectivas desta safra de inverno no Norte do Rio Grande do Sul. Os agricultores mantêm a esperança de que o tempo se estabilize, garantindo a colheita de grãos de qualidade e consolidando os bons números projetados até aqui.

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