JOÃO GILBERTO E A INSURREIÇÃO BOSSA NOVA, de Tárik de Souza. Dica de leitura da semana.

JOÃO GILBERTO E A INSURREIÇÃO BOSSA NOVA, de Tárik de Souza. Dica de leitura da semana.

A bossa nova não nasceu em apartamento, em festa ou em anedota mitificada. Ela germinou antes, nas experiências quase clandestinas de Johnny Alf, que misturava samba e jazz como quem testa a respiração de uma nova criatura. Foi dele a primeira faísca que acendeu a geração seguinte: João Donato com suas harmonias solares, Tom Jobim e Newton Mendonça redesenhando o sentimental brasileiro, Menescal e Lyra dando textura, Oscar Castro Neves e Luís Bonfá alargando as fronteiras. E então João Gilberto, não como mito, mas como síntese, entrou em cena para reorganizar a música brasileira a partir do silêncio.


No livro, Tárik revisita a história sem o verniz de vitrine, recuperando tensões, disputas, cruzamentos improváveis e a dimensão profundamente cultural daquela virada. Não é apenas um livro sobre música, mas sobre o país que se transformava enquanto descobria que podia cantar diferente.
Entre documentos, memórias, episódios pouco comentados e leituras que só um crítico atento poderia fazer, o autor revela poros pouco iluminados do movimento. A bossa nova aparece menos como um estilo e mais como uma insurgência íntima, um rearranjo de expectativas estéticas e emocionais.

Tárik de Souza

Jornalista, crítico musical e escritor, o carioca Tárik de Souza trabalhou para alguns dos principais veículos da imprensa brasileira (JB, Veja, O Pasquim, Opinião, Carta Capital, Folha de S.Paulo), fundou a revista “Rock: a História e a Glória”, além de ter atuado no rádio (MEC, JB), na tevê (Canal Brasil, Educativa), em sites (Clique Music, IMMUB) e em editoras de livros (Editora 34), discos e cinema. De sua autoria, a L&PM Editores publicou “Rostos e gostos da Música Popular Brasileira” (1979), “O som nosso de cada dia” (1983) e “Autópsia em corpo vivo” (1979). Escreveu também os livros “Tem mais samba: das raízes à eletrônica” (Editora 34, 2003), “Tons sobre Tom”, com Márcia Cezimbra e Tessy Calado (Revan, 1995), e “Sambalanço, a bossa que dança” (Kuarup, 2016).

 

FONTE: L&PM Editores