Patrimônio cultural quilombola é tema de capacitação

Patrimônio cultural quilombola é tema de capacitação
Foto: Andreia Calistro, da Emater/RS-Ascar

A Patrimonialização dos Bens Culturais Quilombolas do Litoral Médio gaúcho foi tema da capacitação para técnicos da Emater/RS-Ascar, realizada na terça-feira (26/03), no Escritório Central da Instituição, em Porto Alegre. Foram capacitados técnicos que trabalham na área entre Capivari do Sul e São José do Norte, na qual existem dez comunidades remanescentes de quilombos, onde a Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), atua com ações de Extensão Rural e Social.

Segundo a coordenadora Estadual de Extensão Rural e Social com Famílias e Comunidades de Remanescentes de Quilombos da Emater/RS-Ascar, Regina Miranda, o projeto de patrimonialização tem origem em um diagnóstico feito em 2022, executado pela Instituição, em parceria com a SDR e a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), a respeito das comunidades certificadas remanescentes de quilombos do RS. O diagnóstico incluía um bloco sobre os bens culturais dessas comunidades. A partir disso, em 2023, foi lançado o livro intitulado “Diagnóstico das comunidades quilombolas no RS”.

A capacitação foi aplicada por Yves Marcel Seraphim, pesquisador e antropólogo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do RS (Iphae), uma divisão da Secretaria Estadual da Cultura (Sedac). O antropólogo apresentou aos extensionistas bases conceituais sobre o que é o Patrimônio Cultural Imaterial e quais os processos envolvidos em sua construção, e ensinou as bases metodológicas utilizadas para a criação do inventário, que consiste em uma pesquisa qualitativa feita com diálogos, entrevistas individuais e coletivas, documentações fotográficas e em áudio, além do envio de fichas que formam o sistema de padronização da pesquisa, fundamentada por relatos, descrições e memórias.

“Hoje se deu uma base para que os extensionistas comecem o trabalho que vai ser feito ao longo do ano, de contato direto com as comunidades, em prol de documentar e conhecer melhor essas referências culturais ao longo desse território todo”, complementou Seraphim. Os extensionistas da Emater/RS-Ascar, profissionais com experiências distintas, puderam ouvir, discutir e apresentar experiências de campo, sobre as diversas questões e a realidade das comunidades remanescentes de quilombos.

Em dezembro do ano passado, em Mostardas, ocorreu uma apresentação do trabalho de Patrimonialização para as comunidades remanescentes de quilombos, quando alguns dos representantes aceitaram participar do processo. Seraphim acrescenta que algumas comunidades ainda não manifestaram o desejo de participar, mas que o Iphae, a SDR e a Emater/RS-Ascar irão manter o diálogo em função dessa adesão. A respeito das próximas fases do processo, o pesquisador esclarece que o objetivo é o retorno dos extensionistas às comunidades, com o conhecimento que obtiveram sobre o patrimônio cultural imaterial e suas etapas de trabalho.

O processo culmina em um registro que garante que o Estado, de maneira não interventora, se comprometa com as comunidades que participaram do inventário, através da escuta e do desenvolvimento de soluções específicas para as queixas e reivindicações que aparecem durante o processo de pesquisa. Segundo o antropólogo, isso causa o fortalecimento do direito à cultura, para que as populações tenham e mantenham suas próprias manifestações culturais. “Esse acompanhamento do Estado é chamado de Salvaguarda”, conclui.

 

 

 

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar