Pesquisa indica maior aceitação aos pedágios no Bloco 2
Levantamento da Fetransul ouviu 450 motoristas e aponta que segurança e qualidade das rodovias são as principais preocupações
Uma pesquisa encomendada pela Federação das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Rio Grande do Sul (Fetransul) apontou que a aceitação ao modelo de concessão com pedágio é maior nas rodovias do Bloco 2, que contempla a ERS-324 e a ERS-135, na região de Passo Fundo. O levantamento foi realizado entre os dias 22 e 28 de janeiro de 2026, com 450 motoristas abordados presencialmente em postos de combustíveis ao longo das estradas previstas no programa estadual de concessões.
Do total de entrevistados, 70% eram condutores de automóveis e 30% motoristas de caminhão. A coleta ocorreu em municípios estratégicos dos blocos 1 e 2, como Passo Fundo, Marau, Lajeado, Encantado, Igrejinha e Parobé, considerados trechos de maior volume diário médio de veículos.
De acordo com o presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, o objetivo foi compreender a percepção dos usuários sobre a qualidade das rodovias e o impacto da possível implantação dos pedágios. Segundo ele, a principal preocupação apontada pelos motoristas está relacionada à segurança, à fluidez do trânsito e às condições do pavimento. “O que a pesquisa demonstrou é que a maior inquietação dos usuários não é simplesmente a cobrança do pedágio, mas a necessidade de infraestrutura. Segurança, melhor qualidade da pista e redução do tempo de viagem são fatores que impactam diretamente na diminuição de acidentes e nos custos operacionais”, afirmou.
Bloco 2
Conforme Cardoso, no Bloco 2 o projeto é visto como mais amadurecido, resultado do diálogo estabelecido entre governo, entidades e setores da economia. “Há uma percepção de maior compreensão sobre a importância do investimento. Ninguém quer pagar pedágio, mas muitos entendem que, se não houver investimento agora, pode-se perder a oportunidade de melhorar a infraestrutura regional”, destacou.
Sobre os valores propostos, Cardoso observa que, embora exista resistência natural ao custo, a tarifa no Bloco 2 é considerada aceitável por parte significativa dos entrevistados. Ele também esclarece que, no transporte de cargas, o pedágio não compõe a tarifa de frete, sendo pago pelo contratante do serviço. “O pedágio é um custo que se soma ao frete, mas o que mais pesa hoje é a precariedade da malha. Com estradas em más condições, aumentam os gastos com combustível, pneus e manutenção. Muitas vezes, o custo de operar em uma rodovia sem conservação é maior do que pagar pedágio em uma estrada com melhor estrutura”, explicou.
Os resultados do estudo foram entregues ao secretário estadual de Comunicação, Caio Tomazelli. O edital do Bloco 2 já foi lançado, com leilão previsto para 13 de março.
FONTE: O NACIONAL













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