Getúlio Vargas 90 Anos – Crônica de Roberto Lando

Getúlio Vargas 90 Anos – Crônica de Roberto Lando

A Doce e Fina Guerra - Por Roberto Lando, em edição do A Folha Regional em 2012.

 

De Marcelino Ramos veio Adolfina, que se estabeleceu em Getúlio Vargas como Dona Fina. Tanto melhor, pois para quem achava que sua missão seria apenas acompanhar o senhor Osvaldo Gernhardt, prestador de serviços à Cooperativa Santana (da Estação, hoje Cotrigo), se surpreende ao conhecer sua faceta ágil, firme e determinada. Com uma apurada técnica de fazer doces e salgados, logo se destacou por introduzir a mais fina das novidades no nosso padrão culinário.
Por exemplo, posso lembrar do dia em que ela nos libertou das amarras (epa... quebrar amarras??? Isso é coisa de fresco...) dos sanduíches de queijo e salame no pão sovado. Quando não dá “schimia” de figo no pão de água. Dona Fina fez isso durante um jogo de futebol que rolava no quintal da minha casa. Mandou para o filho AirtÓÓÓÓÓn um belo sanduba de mortadela com generosa porção de manteiga nas fatias do pão caseiro. Bem, o jogo – alguém ainda lembra do jogo? – só continuou quando ela pereceu nossa cara de “pidão”, tipo iraquianos, e mandou um sanduba para cada um.
Yesssssss!!!!!!
Acredito que a primeira vez que comi assados com legumes embutidos foi na sua cozinha – tão organizada quanto limpinha. Das festas de aniversário do Léo aprendi, com a própria, como fazer aqueles salgadinhos espetados num repolho. Não que a gente conhecesse, mas a maneira que ela chamava os pedacinhos de carne branca do peito do frango, pipifleisch, bastava para dar um toque especial aos aperitivos que fazia.
Decisões rápidas e seguras combinavam com seu tailleur xadrez. Um “que” de Margareth Thatcher. Que afinal combinava com seu perfil de primeira-dama, embora pouca gente se lembre que o senhor Osvaldo sucedeu nosso prefeito Odacir Klein nos idos de 70. Fins de 60? Por aí... Por aí...
Nos tempos difíceis mostrou que seria capaz de travar uma guerra com os problemas, tornando tudo tão doce quanto seu branco glace. Das incontáveis festas que proporcionou aos getulienses. Sou testemunha de tantos agnolines, nas sopas quentes que com o Eber tomávamos no Clube Aliança nas madrugadas. E, ainda mais, do jantar que ela ofereceu aos convidados do meu casamento (dos amigos do ginásio aos primos de São Paulo, e aos da família Salada, de Porto Alegre, que sempre se lembrarão da deliciosa janta servida na antiga boate do Aliança, naquela noite do Baile do Chopp no salão principal).
Impossível esquecer da Dona Fina. Parabéns é pouco para quem merece um grande Muito Obrigado. Pelo exemplo de luta. Doce, embora dura. Pela dedicação. Pelo talento. Pela confiança na vida. Pelo carinho de mãe.
Um beijo carinhoso ficaria bom. Melhor se acompanhado de um clamor.
Guarda um docinho pra mim, dona Fina.